quinta-feira, 25 de agosto de 2005

Finalmente apareceu

Rodrigo Cezarin *

Corrupção, desvio de dinheiro, propina. Todos estão cansados de saber da existência das ações ilícitas das administrações públicas, sejam elas municipais, estaduais ou federais. Muitos casos do mesmo nível já surgiram, mas nenhum apresentado com tanta ênfase pela mídia. A explicação é simples: o Partido dos Trabalhadores, o tal de esquerda, o "bonzinho" da política nacional, que sempre pregou a luta contra corrupção, se vê cada vez mais atolado em seu próprio lamaçal.

Tudo começou quando, ao suceder o tão criticado governo tucano, Lula e seus companheiros, que pregavam a mudança na cúpula do país, praticamente mantiveram a mesma estrutura de distribuição de cargos e troca de favores.

A primeira derrota veio na eleição da Câmara. O governo perdeu a maioria e Severino Cavalcante assumiu a Presidência da casa. Mas tudo culminou nas denúncias de pagamento de mesada pela situação aos parlamentares da oposição, para que apoiassem seus projetos.

O não menos corrupto Roberto Jefferson, quando percebeu que poderia não mais receber sua fatia do bolo, ou que estaria prestes a receber de presente toda a culpa da balbúrdia federal, meteu a boca no trombone e entregou quem era culpado e, talvez, até quem não tinha tanta culpa assim - mas de santo ninguém tem nada.

Assim, o PT deixou de ser sinônimo de "partido moralista" e mostrou-se, no mínimo, igual aos PFLs e PSDBs da vida. Viu-se a previsível reeleição de Lula no ano que vem transformar-se numa imprevisível guerra de acusações entre a situação - que antes era oposição - e a atual oposição, há pouco tempo situação.

Isso, apesar de soar estranho, pode agir positivamente em prol da política nacional. Se toda a moralização necessária for aplicada, se a "limpeza" for realizada e todos os envolvidos forem punidos - com cassação, inelegibilidade e tudo o mais que tiverem direito -, o Brasil ressurgirá das cinzas para um novo cenário. Disputas eleitorais com mais propostas, caras novas sem passado sujo, e um pouco de opção à população, cansada dos políticos de carreira que enriquecem a custa do povo.

Quanto ao presidente, a este restam duas saídas: ou mudar de partido - mas teria para qual ir? - ou mostrar que dentre todos os bandidos, ele é aquele legal que no final do filme vira mocinho e casa com a protagonista da história: a nação brasileira.

* Aluno do 4º semestre de Jornalismo