Rodrigo Cezarin *
Tudo começou quando, ao suceder o tão criticado governo tucano, Lula e seus companheiros, que pregavam a mudança na cúpula do país, praticamente mantiveram a mesma estrutura de distribuição de cargos e troca de favores.
A primeira derrota veio na eleição da Câmara. O governo perdeu a maioria e Severino Cavalcante assumiu a Presidência da casa. Mas tudo culminou nas denúncias de pagamento de mesada pela situação aos parlamentares da oposição, para que apoiassem seus projetos.
O não menos corrupto Roberto Jefferson, quando percebeu que poderia não mais receber sua fatia do bolo, ou que estaria prestes a receber de presente toda a culpa da balbúrdia federal, meteu a boca no trombone e entregou quem era culpado e, talvez, até quem não tinha tanta culpa assim - mas de santo ninguém tem nada.
Assim, o PT deixou de ser sinônimo de "partido moralista" e mostrou-se, no mínimo, igual aos PFLs e PSDBs da vida. Viu-se a previsível reeleição de Lula no ano que vem transformar-se numa imprevisível guerra de acusações entre a situação - que antes era oposição - e a atual oposição, há pouco tempo situação.
Isso, apesar de soar estranho, pode agir positivamente em prol da política nacional. Se toda a moralização necessária for aplicada, se a "limpeza" for realizada e todos os envolvidos forem punidos - com cassação, inelegibilidade e tudo o mais que tiverem direito -, o Brasil ressurgirá das cinzas para um novo cenário. Disputas eleitorais com mais propostas, caras novas sem passado sujo, e um pouco de opção à população, cansada dos políticos de carreira que enriquecem a custa do povo.
Quanto ao presidente, a este restam duas saídas: ou mudar de partido - mas teria para qual ir? - ou mostrar que dentre todos os bandidos, ele é aquele legal que no final do filme vira mocinho e casa com a protagonista da história: a nação brasileira.
* Aluno do 4º semestre de Jornalismo
