terça-feira, 29 de novembro de 2005

Zumbi + 10 reúne milhares em Brasília


Eduardo Zanzirolamo *

O dia 16 de novembro ficou marcado, pelo menos em Brasília, pela luta em defesa dos afro-descendentes. A capital federal assistiu à marcha 'Zumbi + 10', que reuniu milhares de pessoas em prol da aprovação imediata do Estatuto da Igualdade Racial.

O Estatuto, de autoria do senador da República Paulo Paim (PT-RS), propiciará aos afro-descendentes direitos nas áreas da educação, saúde, cultura e justiça. Também contempla medidas de combate à discriminação e possibilidades de aumentar a inserção dos cidadãos de etnia negra no mercado de trabalho, além de estabelecer medidas que fortalecem o direito à vida e evitam a marginalização do negro. 

Segundo o senador  Paim, a Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel, não declara quaisquer direitos dados aos negros libertos, enquanto o Estatuto é pleno e abrange políticas públicas de combate ao racismo e à exclusão social.

A marcha teve como objetivo pressionar o Congresso para a aprovação imediata do Estatuto. Os militantes ainda reivindicaram mais atenção por parte dos ministros que atuam no governo Lula, principalmente nas áreas de justiça, trabalho e saúde. 

Uma das militantes, moradora da Baixada Fluminense, no Rio de Janeiro, Conceição de Jesus Silva, diz que o preconceito no Brasil é velado. "Enquanto um negro precisa estudar muito para encontrar trabalho, um branco semi-analfabeto encontra trabalho com mais facilidade", ressalta.

Algumas mudanças já aconteceram, principalmente em cargos importantes como a Secretaria da Justiça do Estado de São Paulo, que atualmente é dirigida por Édio da Silva. Afro-descendente, ele declara que vem adicionando treinamento nas 14 carreiras das polícias civil e militar. Édio diz que "isso é necessário para que a polícia identifique um suposto criminoso pelo crime e não pela aparência ou etnia".

Os grupos mais prejudicados pelo preconceito no Brasil são as religiões de matriz africana. A yalorixá Maria de Fátima Ferreira diz que as pessoas não entendem o que é o candomblé (religião a qual pertence). "Acham que é coisa do diabo, mas nós somos pacíficos. É por isso que precisamos conter essa forma de pensar e rápido", salienta.

* Aluno do 4° semestre de Jornalismo