É vice presidente da Intercom, Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, editor da revista "Comunicação & sociedade", do programa de pós da Metodista. Formado em publicidade e propaganda pela Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba).
Em entrevista à Nova, analisa o quadro político atual e o futuro da propaganda política.
O senhor acredita que a propaganda política será mais difícil nas próximas eleições?
Não, ela deverá ter as mesmas características, com intensa utilização da televisão, do rádio, dos jornais, outdoors, pesquisas de opinião e brindes. Como o congresso não votou a reformulação das campanhas, deve ficar tudo igualzinho a 2004, 2002, 2000, etc.
Diversos petistas estão trocando de partidos. Por que a maioria está optando pelo PSol, da Senadora Heloísa Helena?
A senadora Heloisa Helena foi "eleita" pelo próprio presidente Lula, como sua algoz, quando ele mandou expulsá-la do PT. Ela hoje deve conquistar boa parte do eleitorado petista e do eleitorado mais intransigente e radical. E, quem sabe até, de grandes parcelas do eleitorado, dependendo do discurso e das propostas que fizer à sociedade.
O senhor acredita que a reforma política vai acontecer ainda no Governo Lula?
Não, o governo Lula não tem força para fazer mais nada.
O Sr. acredita que nas próximas eleições o povo vai votar mais consciente?
Pelo que tenho visto, lido e ouvido por aí, o povo deve votar maciçamente "anulando" o seu voto nas próximas eleições. Se a atual crise não for resolvida satisfatoriamente, vamos ter uma enxurrada de votos "nulos" em 2006. E se a crise for resolvida de forma adequada, é até provável que as pessoas voltem a ter esperanças de que votar ainda é um ato cívico que pode representar uma mudança. Caso contrário, a nossa jovem democracia estará em xeque-mate ! Mais para mate que para xeque.
Após todos escândalos, o TSE quer mudar o processo eleitoral do país. O senhor acredita que estas medidas serão válidas para evitar crimes como prática do caixa 2? E quanto as penalidades para estes tipos de crimes?
Não há mais tempo para mudar a regra das eleições do ano que vem. O prazo venceu em no último dia 30. Quanto ao caixa dois, temo que ele continue existindo nas próximas eleições. E acho pouco provável que deputados e senadores, que fazem as "leis" neste país, construam "leis" que penalizem eles próprios de receber auxilio para as campanhas eleitorais. Apesar de todas as denúncias deste ano, com o escândalo do mensalão, por enquanto nada mudou. E nada deve mudar para 2006. Isso significa que empreiteiras, companhias de lixo, revendedores de remédios, de merenda
escolar, empresas que fazem estradas, etc e tal, continuarão "comprando a alma dos políticos brasileiros". A menos que a sociedade brasileira se rebele. Se isto acontecer, as coisas mudam. Se não, vão ficar todas do mesmo
tamanho.
* Aluno do 4º semestre de Jornalismo