Transformar o mundo, em miniatura e com todos os detalhes possíveis, em arte. Este é o trabalho de Ildefonso Nieri. O artesão trabalha as miniaturas de objetos, casas, castelos, cidades medievais e personagens de histórias do imaginário popular universal e da literatura.
Seu ateliê, localizado no fundo de sua residência no centro de Araras, a revela a história que circunda o espaço. Remete aos detalhes de objetos, e também de brinquedos que hoje não fazem mais parte do cotidiano de muitas crianças. O prazer em criar utilizando materiais ambientais começou em sua chegada ao Brasil. Ildefonso é italiano, e chegou ao país em 1947, mas fala com convicção de sua naturalidade brasileira, adquirida em 1969.Ao chegar ao país o artesão parou diretamente na praça Júlio Mesquita, na região central da capital Paulista. De lá traçou seu futuro no Brasil. No início seus trabalhos eram brinquedos, com perfil educacional. "Muitos deles eu vendi, mas tudo o que faço é supérfluo. Sempre tive a paixão pela arte, pelo criar", diz. Ildefonso explica também que o dom surgiu pelo interesse nas orquídeas. Sua paixão resultou do contato com espécies da flor em várias matas, e foi daí que surgiu a idéia de colher galhos e raízes para constituir seu trabalho. Em sua recordação está o primeiro objeto de madeira que fabricou artesanalmente: uma "escaleira" de orquídeas.Mas seu trabalho com miniaturas se desenvolveu mesmo em Araras, onde se fixou após constantes mudanças, por diversas de cidades do país. Sua inspiração em criar tem explicação e ele garante que o bom artesão retira suas idéias das leituras. "Criatividade é fruto de literatura. Leio demais, e temos que conhecer épocas, costumes e vidas de outros povos", explica. Mas com tanta paixão, o artesão comenta sobre a falta de interesse do brasileiro pela arte, e pelos materiais produzidos nos ateliês do país. "Tudo isso é cultura, aliada à falta de dinheiro. O brasileiro, e o público local também, não tem o costume de adquirir essas peças. É muito pouco o que se vende, e se depender do dinheiro para viver disso, não dá", comenta.O artesanato de Ildefonso é rico em detalhes, e não há como não perceber essas características ao observar suas obras. Existem muitas peças peculiares, como o desenho esculpido em madeira e vidro dos países de todo mundo, e principalmente do Brasil, que faz questão de chamar de "o gigante".Há também peças com personagens da literatura como a mesa redonda da Távola do Rei Artur, e o quarto de mademoiselle Fifi, da Bellepoque.













