Eliara Clemente *
A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), foi um susto para muitos, pois com tantos escândalos envolvendo seu partido era difícil visualisar a reeleição.O quadro foi o seguinte: quando 86,72% das urnas estavam apuradas, Lula já tinha 60,57% dos votos válidos, e o resultado final já estava feito.Geraldo Alckimin (PSDB), que disputava o segundo turno com Lula tinha apenas 39,43%.
Wilson Nunes Cerqueira, presidente do Diretório Municipal do Partido dos trabalhadores de Limeira, fala à agência Nova sobre a reeleição do presidente Lula, imagem do partido, e os caminhos que o novo mandato deve percorrer
O senhor acha que com a reeleição a tendência é o partido se fortalecer e tomar um fôlego perante a imprensa e opinião pública, no que diz respeito à imagem do partido e do presidente? A releição do presidente Lula é um marco na história política brasileira. Os 58 milhões de votos deram legitimidade ao seu governo e o qualifica como uma das maiores lideranças da América Latina, com condições de implementar o programa de governo apresentado durante as eleições. Com este resultado, tanto o governo Lula quanto o PT saíram fortalecidos do processo eleitoral com perspectivas positivas para os próximos 4 anos de governo. Além disso, qual é a importância desta vitória para o partido? Contrariando muitas das previsões a respeito do cenário político das eleições de 2006, com atenção especial a crise do último período, o PT teve uma vitória importante dado o resultado eleitoral do partido no Brasil, o que legitima a referência político-partidária do PT e a identificação do povo brasileiro com o projeto de sociedade do partido. O senhor acredita, que a oposição irá dificultar a governabilidade de Lula neste novo madato, visto que agora o partido já não tem maioria no congresso? O governo Lula e o PT nunca tiveram maioria no Congresso, porém com o novo quadro político em que detém o apoio da maioria dos governadores é possível a articulação de uma base de sustentação mais sólida com a nova configuração do Congresso, no entanto, isso não significa dizer que "a vida será mais fácil" neste mandato, o novo perfil da Câmara Federal, por exemplo, é muito mais conservador do que o da que termina o mandato neste ano. Na sua opinião, qual será a grande dificuldade do governo com este novo quadro? As dificuldades e os desafios do próximo mandato do presidente Lula, são as reformas agrária, política, tributária e outras que provocarão o embate no plenário da Câmara e do Senado junto com os setores organizados da sociedade civil. Lula poderá alavancar significativas mudanças se contar com o apoio e a participação da classe trabalhadora. Qual é a mensagem do partido para os eleitores que apoiaram Lula nesta eleição? Como presidente do Diretório Municipal do PT de Limeira/SP, quero agradecer a todos os eleitores que nos confiaram seu voto e apoio nestas eleições. Porém é necessário que as pessoas se organizem para fiscalizar e participar da vida política de seu país, pois é bom lembrar que as mudanças necessárias para o povo brasileiro não dependem apenas do presidente mas principalmente da força e mobilização da sociedade. E qual é a mensagem para aqueles que são contrários ao presidente? Para aqueles que não votaram Lula presidente quero dizer que as diferença devem ser tratadas com respeito e que a democracia é algo que devemos aprofundar todos os dias na nossa prática política onde estivermos atuando. O que é inadmissível é a prática do preconceito contra outro ser humano, espero que juntos possamos lutar por um Brasil melhor para nós e para as próximas gerações. O que esperar do partido nos próximos quatro anos? Espero que o partido mantenha autonomia em relação ao governo, que oriente a militância a estar à frente dos movimentos sociais para que as mudanças necessárias aconteçam no nosso país. Junto com o governo Lula esperamos o combate as políticas neoliberais e a continuidade ao combate a corrupção, uma política de valorizaçào permanente do salário mínimo, rendimento base de milhões de brasileiros e brasileiras, instrumentos que ampliem a distribuição de renda. Sabemos que para isso é necessário uma nova política econômica que possibilite a reforma agrária e urbana e a ampliação das políticas sociais com mais investimento em saúde e educação.
* Aluna do 4° Semestre de Jornalismo
