Andrei Damiani *
José Carlos Rodrigues de Moraes, o Jacá, 54 anos, comerciante, se lembra muito bem daquele amistoso em que atuou pela Seleção de São Pedro, na derrota de 3x2 para o time de Garrincha. ?A população estava muito animada, pois também era o dia da inauguração dos refletores do estádio. O time deles tinha ainda o Edu (ex-Santos) e o Paulo Cezar Caju (ex-Botafogo)?, lembra Jacá.
?O Garrincha não marcou nenhum gol, mas esteve bem no jogo. Só lamento não ter tido nenhuma conversa com ele. O máximo que consegui foi cumprimentá-lo no intervalo?, lamenta. Dizertes pintados no muro lateral à entrada principal do estádio relembram o episódio.
O anjo de pernas tortas
Uma das características marcantes de Garrincha relacionava-se a uma distrofia física: as pernas tortas. De frente, sua perna esquerda, seis centímetros mais curta que a direita, parecia flexionada para o lado direito. A perna direita tinha o mesmo desenho. Seu drible mais conhecido consistia em uma arrancada pela direita precedida de uma freada brusca.
Na maior parte da carreira Garrincha defendeu o Botafogo (de 1953-1965) e a Seleção Brasileira (de 1957-1966). Jogou alguns meses no Corinthians (1966) e no Flamengo (1969), além de equipes menores do futebol brasileiro.
Infelizmente, a vida do craque, chamado de ?alegria do povo?, era marcada por tragédias. Bebia muito e teve uma carreira profissional abreviada também pelas constantes contusões no joelho. Como nunca soube negociar um bom contrato e era frequentemente explorado pelos clubes que o contratavam.
Terminou a vida na miséria, em 20 de janeiro de 1983, quando morreu vítima de um edema pulmonar. O velório foi realizado no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, onde comandou verdadeiros espetáculos. Milhares de fãs foram ao estádio para dar o último adeus ao craque.
* Originalmente publicada no jornal laboratório Em Foco, do curso de Jornalismo do Isca Faculdades
* Aluno do 6º Semestre de Jornalismo

