quinta-feira, 6 de setembro de 2007

O governo federal de São Paulo

Rafael Sereno *

Para ficar no jargão presidencial, nunca antes neste país houve uma eleição tão antecipada quanto à de 2010. Desde janeiro, as ações de bastidores e as estratégias de governo de José Serra (PSDB) estão profundamente ligadas ao próximo pleito presidencial.


Em posição de extrema visibilidade, Serra adota uma política de oposição sem ser destrutivo com Lula. Criou um piso regional, que na prática terá abrangência restrita, mas lhe servirá para dizer que seu mínimo foi maior do que o dado pelo atual presidente. Se o governo aposta no Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), cujas metas estão estipuladas para 2022, Serra apressou-se em criar as suas até 2010, bem mais viáveis e rápidas de se cumprir.

Em meio à crise aérea, Serra fez uma contraposição eficiente ao governo federal, propondo soluções enquanto o governo ainda "batia cabeça" para dar uma resposta ao País. Opôs-se à construção de um terceiro aeroporto em São Paulo, idéia anunciada pela ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, ainda no calor da tragédia da TAM, e defendeu a ampliação de aeroportos pelo interior do Estado. Um mês após o acidente não se fala mais no novo aeroporto, e Viracopos e Jundiaí ganharam força com o ministro Jobim, principalmente com as necessidades de interdição de Guarulhos para obras na pista nos próximos três meses.

Sem contar o anúncio de uma linha de trem ligando Cumbica ao centro de São Paulo, já a partir de 2008. Mesmo com tantos atritos com as universidades este ano, Serra também amealha apoios pelo interior de SP anunciando Fatecs a torto e a direito. Desprezou a expansão universitária e pôs mecanismo disfarçável de controle sobre elas, com a criação da Secretaria do Ensino Superior.

Serra é o candidato mais forte à sucessão de Lula e sabe governar o Estado com uma estratégia federal. O faz para criar um ambiente interno de modo a unir o PSDB em seu entorno. Nesse sentido, está anos-luz à frente de Aécio Neves e Geraldo Alckmin. Lula não faz idéia de quem será candidato. Fala-se em Jacques Wagner, Ciro Gomes, Dilma Roussef, da mesma forma como se falava de José Dirceu, Antônio Palocci e até - hoje impensável - Marta Suplicy. Sonha com Aécio no PMDB, mas aposta também na firmeza de Jobim. É nesta brecha política que hoje se fortalece Serra. Faltam três anos para 2010, mas a campanha está mais aberta do que se imagina.


* Rafael Sereno, 23, aluno do 8º semestre de Jornalismo, foi editor da Agência Nova e colaborador do Núcleo de Comunicação (Nucom). Atualmente, é repórter da Gazeta de Limeira, onde cobre economia, negócios, desenvolvimento educação, ciência e tecnologia, e mantém um blog na rede:www.oinformante-rafasereno.blogspot.com