sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Universidades fecham acordo com a Petrobrás

Gisele Franchini *

As universidades federais brasileiras firmaram um novo acordo com a Petrobrás em relação ao sigilo das pesquisas realizadas em parceria e à propriedade intelectual, que, de acordo com a Convenção da Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI) refere-se à soma dos direitos relativos às obras (literárias, artísticas e científicas) e às invenções em todos os domínios da atividade humana.

Em quase um ano de conversas, as universidades propuseram negociações amplas que envolvessem os interesses de todas as instituições federais de ensino superior, a fim de facilitar o estabelecimento de medidas aplicáveis em todo o País.
"Fomos escolhidos como representantes da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior, a Andifes, para realizar uma negociação mais global, porque a negociação caso a caso era muito difícil de ser feita. Por isso, desenvolvemos uma proposta que procura respeitar a Lei de Inovação, garantindo, nessa parceria, os direitos para das universidades", explica o reitor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Oswaldo Baptista Duarte Filho, um dos coordenadores das negociações. O acordo firmado entre a Petrobrás e as universidades federais valerá, inclusive, para as universidades estaduais paulistas.
Todas as negociações foram realizadas tendo em vista três pontos principais: as condições de sigilo, a co-titularidade da produção e a responsabilidade pelas despesas operacionais e administrativas das pesquisas. "Nós conseguimos finalmente fechar um acordo que foi considerado por todos um grande avanço. Nesse acordo, a Petrobrás admite a co-titularidade, ou seja, a participação das universidades nos lucros de um possível licenciamento das patentes. Por essa razão, consideramos a negociação um marco no relacionamento entre as universidades e a empresa", avalia Duarte Filho.
As novas propostas das condições de sigilo indicam que as instituições executoras das pesquisas estão obrigadas a manter o segredo por 10 anos, reduzindo assim o prazo à metade do período anteriormente estabelecido.
No que diz respeito à propriedade intelectual, o acordo prevê três novidades. Em casos de interesse exclusivo da Petrobrás na patente, a empresa ficará com 80% da titularidade e a universidade com 20%. Nos casos de interesse exclusivo da Universidade, a porcentagem se inverte e, por fim, nos interesses comuns, cada uma das partes detém 50%.
 
Anteriormente, a Petrobrás tinha direito à titularidade integral em todos os casos de patentes. E por fim, as questões das despesas operacionais e administrativas estão em análise pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), visando o estabelecimento de condições positivas tanto para a Petrobrás quanto para as instituições parceiras nas pesquisas.
De acordo com o reitor, as novas normas estabelecidas permitirão que a parceria com a Petrobrás se desenvolva de maneira mais efetiva e lucrativa do ponto de vista financeiro e científico para as universidades públicas brasileiras.
A Petrobrás dispõe anualmente de 380 milhões de reais para realizar pesquisas em parceria com as universidades, visando à produção de conhecimento e inovações tecnológicas para o setor petrolífero do País. Tendo em vista a formação dessas parcerias, a empresa criou 38 redes temáticas, envolvendo 76 instituições do País.

* Aluna do 8º semestre de Jornalismo