Juliano Schiavo *
O mesmo vale quando o computador - onde estão todos os seus arquivos pessoais - decide não ligar. Gritos, (m)urros, socos, uma explosão de ódio e fúria por causa da maldita máquina que não obedece.
A tecnologia que facilita a vida ? por exemplo, permitindo ao cidadão pagar suas contas em casa e escapar das monstruosas filas bancárias -, também tem se transformado em fator de estresse.
Quem nunca se pegou xingando um aparelho eletroeletrônico que decidiu não obedecer às suas ordens, que aperte o primeiro botão de play que aparecer na frente e continue cultivando essa paciência invejada. A tecnologia, que por alguns momentos é aliada, pode se transformar no vetor de sérias complicações da saúde.
Insônia, dor de cabeça, dor de estômago, problemas gastrointestinais, depressão, enfim, uma série de fatores são frutos do tecnoestresse e da vida corrida.
Na ânsia involuntária de acompanhar a rapidez do mundo, deixa-se de lado o ritmo biológico e segue-se, maquinalmente, uma vida regada pela pressa insensata. Não se tem tempo para o almoço ? que se converteu apenas numa pequena fração de tempo para repor energias no corpo. Não se tem tempo para descansar ? há cada vez mais tarefas, cuja tecnologia permite realizá-las de maneira espantosamente rápida, mas não espantosamente relaxante. Faz-se muito em pouco tempo e a todo momento.
A essência humana moderna foi soldada num corpo de carne e osso, que funciona em ritmo acelerado. A fome, o sono, a vontade de sorrir, de ficar solitário, tudo foi confinado por grades que emanam um tic-tac sem fim.
Conclui-se que a tecnologia, pensada para trazer conforto, gera desconforto. Feliz daquele que não se contamina com o estresse, não sofre com ansiedade, não faz de sua vida um ponteiro. Esse aprendeu a viver e a desfrutar da efemeridade das situações. Esse aprendeu a valorizar o ritmo biológico porque sabe que é um ser humano e não uma máquina.
O difícil é descobrir tudo isso quando a vida parece guiada por ponteiros acelerados e invisíveis. Quem não se aliena é que será chamado de louco.
* Estudante do 6o semestre de Jornalismo do Isca Faculdades

