sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Bom jornalista se forma com garra e criatividade

Da Redação* *

A jornalista Rosemary Bars Mendez, editora-chefe do Jornal de Piracicaba e professora titular do Isca Faculdades e da Unimep, concedeu uma entrevista por e-mail à equipe da Agência Nova. Na entrevista, ela disse que o jornalismo é uma de suas paixões e que escolheu a profissão porque não saberia fazer outra coisa. Também falou sobre sua atuação como executiva de um grande jornal do interior do Estado e analisou o mercado de trabalho.

Rose Bars, que entrou na faculdade de jornalismo aos 17 anos, também é graduada em História. Tem especialização em História e Cultura, e fez mestrado e doutorado em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo. No mestrado, estudou a obra de Barbosa Lima Sobrinho, e no doutorado, o jornalista Pompeu de Sousa, que introduziu várias mudanças na imprensa brasileira. Rose também atuou na imprensa sindical e política. 
Confira a entrevista:

Que avaliação você faz do mercado de trabalho para os jornalistas?
O mercado sempre foi muito cruel com todos e sempre será, mas acolhe os bons profissionais, aqueles que têm brilho próprio, garra, disciplina, criatividade para superar as dificuldades e apresentar um trabalho de qualidade. Sobreviver nesse mercado é saber lidar com a concorrência e estar preparado para qualquer tipo de mudança. Não podemos nos acomodar, porque podemos perder espaço.

 

Como veterana da profissão, que mudanças testemunhou nos jornais, ao longo do tempo?
As mudanças são várias, a começar pela linguagem (texto e imagem), na agilidade do processo de produção, na exigência de se apurar com precisão a notícia. Ou seja, está na produção, no cotidiano de uma redação, uma dinâmica própria das novas tecnologias. Mas o senso de responsabilidade, de comportamento ético, da necessidade de investigar e estar sempre atenta aos problemas sociais são os mesmos, pelo menos para mim.

 

Como você encara o desafio de ser uma executiva do mercado jornalístico, no caso, editora-chefe? Quais as responsabilidades do cargo?
Sou jornalista e isso não depende do cargo que ocupo. Mesmo estando num cargo de gestão, atuo como jornalista, sempre em busca de informações de interesse público e conto com o apoio de uma equipe de profissionais que tem o mesmo interesse que eu. A diferença é que resolvo mais problemas e discuto com todas as editorias o que é mais importante, o que dá manchete e as formas para resolver as dificuldades diárias que os repórteres encontram no trabalho de campo.
Estou à frente de uma equipe que se preocupa com a qualidade do que apresentará para os leitores. A responsabilidade do cargo está ligada à responsabilidade da própria profissão, que é fazer jornalismo de qualidade. Por isso a atuação da equipe é importante.

 

Existem poucas mulheres atuando na área executiva da imprensa. Você acredita que ainda há preconceito contra mulheres na chefia de veículos de comunicação?
Sou uma profissional e acredito que ocupo este cargo por essa razão e não por ser mulher. Isso significa que se a profissional tiver o perfil para ocupar um cargo de chefia, de direção, com certeza ocupará. Conheço muitas mulheres que estão chefiando redações ou estão ocupando cargos de editoras. O que acontece é um pouco mais profundo do que a questão de gênero (homem/mulher). É uma mudança no perfil da redação, que tem mais mulheres do que homens.

Que palavra define o jornalismo em sua vida? 
É uma das minhas paixões.

* Entrevista concedida a Gustavo Nolasco, Lílian Geraldini e Roxane Regly, do 2º semestre de Jornalismo do Isca.