sábado, 22 de setembro de 2007

Colunista da Folha abre Secom 2007

Da Redação *

A colunista do jornal Folha de S. Paulo em Brasília, Eliane Catanhede, abrirá a 8ª Semana de Comunicação do Isca Faculdades nesta segunda, 22. Eliane foi diretora da sucursal da Folha na capital federal entre 1997 e 2003. Também trabalhou na revista Veja, Jornal do Brasil, Estado de S.Paulo, O Globo e Gazeta Mercantil, sempre em Brasília. Ela falará sobre mídia, realidade e política brasileira.

Na terça, 23, o diretor de criação da Salles Chemistri, André Marques, abordará o tema "Criação/direção de arte e as novas mídias". No dia seguinte, 24, jornalismo popular e regional será o tema discutido por Mário Rossit, Luís César Pinto e Fábio Gallaci, jornalistas da Rede Anhangüera de Comunicação (RAC), de Campinas, que edita os jornais Diário do Povo, Correio Popular e Notícia Já. Rossit é editor-chefe do Notícia Já, um tablóide popular lançado em abril pela RAC e vendido a 50 centavos. Luis César é editor executivo do grupo, e Fábio Gallacci, repórter especial do Correio e vencedor do Prêmio Esso 2006, na categoria Interior.
A digitalização da TV será o assunto da palestra do professor de Midialogia da Unicamp e USP, Carlos Bottesi, na quinta, 25. O encerramento será na sexta, 26, com a editorialista do Estado de S. Paulo, Márcia Guerreiro, que falará sobre a qualidade na reportagem.
A semana também incluirá oficinas ministradas por professores do curso de Comunicação. As oficinas ocorrerão das 18h às 19h15 e cada dia da semana terá uma atividade diferente. Na segunda (22), o tema será técnicas de redação, com Karen Terrel; terça (23), caricatura, com Renato Fabregat; quarta (24), roteiro para web, com Fernando Joe, e técnicas de aprendizagem e memorização, com Malu Belle; quinta (25), editoração eletrônica, com Daniela Rubbo.
A Semana de Comunicação é aberta ao público. As palestras serão realizadas no anfiteatro Dr. Waldomiro Francisco, a partir das 19h.  
Mais informações podem ser obtidas pelo fone 3404-8761, com Regina, ou na coordenação de Comunicação Social do Isca (fone 3404-4741).

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sexta-feira, 21 de setembro de 2007

ESPECIAL São Pedro foi último 'palco' de Garrincha


Andrei Damiani *

Considerado um dos maiores atletas da história do futebol, Manuel Francisco dos Santos, o Mané Garrincha, foi um jogador que se notabilizou pelos dribles desconcertantes. Depois de brilhar nos gramados de todo o Brasil, foi na pequena São Pedro (SP) que Garrincha realizou sua última partida de futebol pelo Milionários, um time de veteranos da capital. O jogo aconteceu no dia 17 de setembro de 1982, no estádio municipal Ferrúcio Feltrim.  

José Carlos Rodrigues de Moraes, o Jacá, 54 anos, comerciante, se lembra muito bem daquele amistoso em que atuou pela Seleção de São Pedro, na derrota de 3x2 para o time de Garrincha. ?A população estava muito animada, pois também era o dia da inauguração dos refletores do estádio. O time deles tinha ainda o Edu (ex-Santos) e o Paulo Cezar Caju (ex-Botafogo)?, lembra Jacá.
?O Garrincha não marcou nenhum gol, mas esteve bem no jogo. Só lamento não ter tido nenhuma conversa com ele. O máximo que consegui foi cumprimentá-lo no intervalo?, lamenta. Dizertes pintados no muro lateral à entrada principal do estádio relembram o episódio.

O anjo de pernas tortas
Uma das características marcantes de Garrincha relacionava-se a uma distrofia física: as pernas tortas. De frente, sua perna esquerda, seis centímetros mais curta que a direita, parecia flexionada para o lado direito. A perna direita tinha o mesmo desenho. Seu drible mais conhecido consistia em uma arrancada pela direita precedida de uma freada brusca.
Na maior parte da carreira Garrincha defendeu o Botafogo (de 1953-1965) e a Seleção Brasileira (de 1957-1966). Jogou alguns meses no Corinthians (1966) e no Flamengo (1969), além de equipes menores do futebol brasileiro.
Infelizmente, a vida do craque, chamado de ?alegria do povo?, era marcada por tragédias. Bebia muito e teve uma carreira profissional abreviada também pelas constantes contusões no joelho. Como nunca soube negociar um bom contrato e era frequentemente explorado pelos clubes que o contratavam. 
Terminou a vida na miséria, em 20 de janeiro de 1983, quando morreu vítima de um edema pulmonar. O velório foi realizado no estádio do Maracanã, no Rio de Janeiro, onde comandou verdadeiros espetáculos. Milhares de fãs foram ao estádio para dar o último adeus ao craque.

 * Originalmente publicada no jornal laboratório Em Foco, do curso de Jornalismo do Isca Faculdades

* Aluno do 6º Semestre de Jornalismo

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Universidades fecham acordo com a Petrobrás

Gisele Franchini *

As universidades federais brasileiras firmaram um novo acordo com a Petrobrás em relação ao sigilo das pesquisas realizadas em parceria e à propriedade intelectual, que, de acordo com a Convenção da Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI) refere-se à soma dos direitos relativos às obras (literárias, artísticas e científicas) e às invenções em todos os domínios da atividade humana.

Em quase um ano de conversas, as universidades propuseram negociações amplas que envolvessem os interesses de todas as instituições federais de ensino superior, a fim de facilitar o estabelecimento de medidas aplicáveis em todo o País.
"Fomos escolhidos como representantes da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior, a Andifes, para realizar uma negociação mais global, porque a negociação caso a caso era muito difícil de ser feita. Por isso, desenvolvemos uma proposta que procura respeitar a Lei de Inovação, garantindo, nessa parceria, os direitos para das universidades", explica o reitor da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Oswaldo Baptista Duarte Filho, um dos coordenadores das negociações. O acordo firmado entre a Petrobrás e as universidades federais valerá, inclusive, para as universidades estaduais paulistas.
Todas as negociações foram realizadas tendo em vista três pontos principais: as condições de sigilo, a co-titularidade da produção e a responsabilidade pelas despesas operacionais e administrativas das pesquisas. "Nós conseguimos finalmente fechar um acordo que foi considerado por todos um grande avanço. Nesse acordo, a Petrobrás admite a co-titularidade, ou seja, a participação das universidades nos lucros de um possível licenciamento das patentes. Por essa razão, consideramos a negociação um marco no relacionamento entre as universidades e a empresa", avalia Duarte Filho.
As novas propostas das condições de sigilo indicam que as instituições executoras das pesquisas estão obrigadas a manter o segredo por 10 anos, reduzindo assim o prazo à metade do período anteriormente estabelecido.
No que diz respeito à propriedade intelectual, o acordo prevê três novidades. Em casos de interesse exclusivo da Petrobrás na patente, a empresa ficará com 80% da titularidade e a universidade com 20%. Nos casos de interesse exclusivo da Universidade, a porcentagem se inverte e, por fim, nos interesses comuns, cada uma das partes detém 50%.
 
Anteriormente, a Petrobrás tinha direito à titularidade integral em todos os casos de patentes. E por fim, as questões das despesas operacionais e administrativas estão em análise pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), visando o estabelecimento de condições positivas tanto para a Petrobrás quanto para as instituições parceiras nas pesquisas.
De acordo com o reitor, as novas normas estabelecidas permitirão que a parceria com a Petrobrás se desenvolva de maneira mais efetiva e lucrativa do ponto de vista financeiro e científico para as universidades públicas brasileiras.
A Petrobrás dispõe anualmente de 380 milhões de reais para realizar pesquisas em parceria com as universidades, visando à produção de conhecimento e inovações tecnológicas para o setor petrolífero do País. Tendo em vista a formação dessas parcerias, a empresa criou 38 redes temáticas, envolvendo 76 instituições do País.

* Aluna do 8º semestre de Jornalismo

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Não espere pela reforma dos políticos

Rafael Sereno *

A absolvição do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), acusado de ter despesas pessoais pagas por um lobista, foi a prova inconteste - se é que alguma faltava - para que os brasileiros perdessem a razão de encarar os políticos como "instrumentos" para o avanço institucional.

Em agosto do ano passado, a sugestão ventilada no Planalto de convocar uma assembléia, nos moldes da Constituinte de 88, para discutir a reforma política, foi crucificada pela mídia e pelos partidos de oposição, antes mesmo de se cogitá-la efetivamente.
A idéia de chamar a sociedade civil para resolver esta questão corrobora a tese de que há falhas estruturais no sistema político do País. Afinal, a população vai às urnas justamente para delegar a algumas pessoas a tarefa de representá-los na hora de direcionar ações coletivas. Mas, a cada ano - e escândalo - que passa, parece que nem deputados nem senadores merecem mais a confiança do brasileiro.
O caso Renan mostrou, descaradamente, o quanto a classe política está distante da população. Após três meses de paralisação nas votações, cenas deprimentes de acusações, justificativas incoerentes e mentirosas do alagoano sobre a compra e venda de seu rebanho de gado, os senadores optaram por uma sessão secreta para discutir seu futuro, mutilando a transparência constitucional que o caso exigia.
Não bastasse a Casa ao lado ter sido invadida por mensaleiros, sanguessugas e outros bichos mais, o Senado foi além. Mesmo com farta documentação incorreta e provas coletadas pela mídia e pela Polícia Federal, os senadores inocentaram Renan e atiraram às moscas o pouco de credibilidade que restava à classe política. Não por acaso, os senhores preparam-se agora para votar a CPMF, mais um imposto a atravancar a carga tributária do País.
Percamos a esperança. Não será deles que virá a reforma política. Todos os itens estão intimamente relacionados ao futuro de cada um. Só o poder lhes interessa. A saída mais honrosa seria chamar a sociedade para discutir a reforma. É um tiro no coração republicano do País, mas se tantos já foram dados, o brasileiro tem o direito de apertar esse gatilho.

* Rafael Sereno, 23, é estudante do 8º semestre de Jornalismo. Foi editor da Agência Nova e colabora

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Motorista de Brotas aproveita lixo para ajudar ONG


Analúcia Neves *

"Se houvesse boa vontade do poder público, nenhuma cidade precisaria de um espaço para aterro sanitário. Diariamente enterramos dinheiro, e se todos fizessem algo pela natureza, o futuro dos nossos netos estaria garantido".

A afirmação é de Sérgio Roberto do Amaral Menezes, também conhecido como Carioca, 63, casado, funcionário público. Há nove anos ele dirige o caminhão que recolhe o lixo na cidade de Brotas, interior de São Paulo.
Quando começou a trabalhar na coleta, Carioca entendeu que o lixo tem a ver com a vida de todo mundo, e isso o levou a refletir sobre o valor de tudo o que é jogado fora.
Nos primeiros dias ficou impressionado com a quantidade de eletrodomésticos (ferros elétricos, tanquinhos, liquidificadores) que são descartados. Percebeu que, com alguns poucos reparos, poderiam ser novamente utilizados. Foi então que surgiu a idéia de consertar e doar os equipamentos ao Voluntários do Câncer, ONG que ajuda pessoas de baixa renda, vítimas da doença.
Os aparelhos são levados para a casa de Carioca. Lá, as peças boas são aproveitadas e as rejeitadas, doadas para catadores de lixo, que vendem o material para sucatas. 
Para Carioca, consciência ecológica não depende só do governo. É uma questão de educação. Ele sabe da importância do seu gesto em favor do meio ambiente. "A natureza pede muito pouco do ser humano. Basta mudar alguns hábitos. Faço o que posso e acredito que a reciclagem pode dar emprego para muita gente". 
A cidade, lembra o motorista de caminhão, acomoda os dejetos no aterro sanitário municipal.
Os catadores de Brotas só valorizam materiais como papelão, garrafas pet, alumínio e cobre. Outros recicláveis são deixados de lado, e enterrados. Isso acontece por falta de uma cooperativa e de esclarecimento, observa Carioca. "Boa administração por parte do poder público, prestar atenção na TV quando o assunto é ecologia, controlar o lixo doméstico e mudar pequenos hábitos dentro de casa podem fazer a diferença".

Assistência
A vice-presidente da ONG Voluntários do Câncer de Brotas, Rita Brino Cassaro, explica que o grupo dá toda a assistência aos doentes, inclusive para exames. A renda da entidade vem principalmente da solidariedade da população e dos voluntários.
Rita contou que além dos utensílios retirados do lixo, as pessoas doam aparelhos quebrados para serem consertados por Carioca. Ele também sugere os preços de venda, e dificilmente alguém reclama. A procura é grande. "Ele [Carioca] nos ajuda muito. Além de ser exemplo de desenvolvimento sustentável, tira o lixo do meio ambiente, presta ajuda voluntária e pratica cidadania em favor da população carente", destaca a vice-presidente.
Na opinião da mulher do motorista, Virgínia Menezes, não é preciso curso universitário para se ter consciência ecológica. Seu marido, como muitos cidadãos brasileiros, não pôde concluir os estudos, pois precisou começar a trabalhar cedo para completar a renda familiar. "Ele é um homem simples, solidário e curioso. Se interessa por tudo o que está em acordo com seus princípios. Tenho certeza de que seus valores são a melhor herança que nossos três filhos receberão do pai", afirma.

* Originalmente publicada no jornal laboratório Em Foco, do curso de Jornalismo do Isca Faculdades 

* Aluna do 6º Semestre de Jornalismo (analunevess@yahoo.com.br)

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sábado, 15 de setembro de 2007

Que presente você daria a Limeira?


Da Redação *

A equipe de reportagem da Agência Nova foi às ruas para saber, dos limeirenses, que presente eles dariam à cidade no dia do seu 181º aniversário (15 de setembro). Veja as respostas:


Rose Maria Mastellaro, 52, professora - Eu daria mais segurança, mais respeito às pessoas, pois elas não têm seus direitos respeitados. Não têm liberdade para sair de suas casas. As praças da cidade, por exemplo, são usadas como local de prostituição.

Juliana Lima, 22, auxiliar administrativo - Presentearia Limeira com mais opções de lazer, pois os jovens têm poucos lugares para se reunir com seus amigos nos finais de semana.

Paschoal Wanderlei Delfino, 50, vigilante - Saúde, empregos, moradia.

Eliete Santos Araújo, 30, servente - Lazer para a família, e segurança. Há alguns dias a filha de uma colega desapareceu e ainda não foi encontrada.

Juliana Menecato, 35, dona de casa - Um zoológico melhor, pois o da cidade está em péssimas condições, abandonado; melhor atendimento no comércio às pessoas que vêm de fora; e um shopping maior, com área para crianças.

Luciene Gonçalves, 23, vendedora - Educação, pois a estrutura das escolas públicas é precária.

Pedro Aílton de Andrade, 65, aposentado - Limeira precisa de tudo, porém, o problema não é a cidade, é o país. Nos tempos da ditadura você não podia se expressar, mas não existiam senadores corruptos sendo absolvidos.

Natália Cristina Merola, 22, auxiliar administrativo - Daria para Limeira mais oportunidades de emprego, pois esta é a maior dificuldade que a cidade enfrenta.

Lilian Araújo, 21, auxiliar administrativo - Mais centros hospitalares, pois a saúde, principalmente a pública, está bastante precária.

Eduardo Felipe de Oliveira, 20, estudante - Segurança, pois trabalho na prefeitura e recebemos várias vezes ao dia reclamações nesta área.

Brivânia Maria de Santana, 24, copeira - Daria mais opções culturais. Além disso, o zoológico da cidade está em condições precárias.

Alex Rios, 26, supervisor técnico - Trocaria a administração da cidade, pois a atual está muito ruim.

Felipe Wenzel, 19, consultor - Presentearia Limeira com um melhor planejamento, pois viajo constantemente e percebo que as demais cidades crescem de forma organizada, o que aqui não ocorre.


Leandro de Castro Caselato, 18, auxiliar comercial - Pessoas que se dediquem mais à nossa cidade, que trabalhem com garra e vontade.

Mayra Santana, 21, artesã - Presentearia Limeira com maiores oportunidades de trabalho, já que estou em busca de emprego há algum tempo, sem sucesso.

* Reportagem: Gustavo Nolasco, Ivan Costa, Ítalo Ferreira, Roxane Regly, Tamires Gonçalves, Tracy Ellen, Virgílio Gabriel (2º semestre de Jornalismo do Isca).

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sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Aril implanta Comunicação Alternativa

Paulo Silas *

Desde o início do ano, a Associação de Reabilitação Infantil Limeirense (Aril) está implantando em todos os setores da entidade a Comunicação Alternativa e Suplementar (CAS). Voltado às pessoas que possuem qualquer deficiência que impossibilita a comunicação social, o projeto tem por objetivo utilizar outros modos de comunicação alternativos à fala.


Na Aril, a CAS está sendo utilizada para facilitar o atendimento aos usuários. De acordo com a fonoaudióloga Rosângela Gallina, o modelo torna mais fácil e rápida a comunicação com as crianças portadoras de necessidades especiais. "São utilizados símbolos que podem ajudar até a constituição de frases. Assim, a criança poderá apontar para a figura que possivelmente indique os seus desejos de expressão. Por exemplo, se estiver com fome, apontará para uma figura que representa uma refeição", explica a fonoaudióloga.

Tanto na cidade de Limeira como na filial, em Iracemápolis, todos os departamentos da entidade estão sendo identificados utilizando a Comunicação Alternativa e Suplementar. 

Segundo a coordenadora da Reabilitação, Jane Elisabeth Adam Lopes, após a implantação do projeto, algumas crianças apresentaram melhora surpreendente no nível de compreensão e entendimento. Ela aproveitou para ressaltar que Aril se preocupa em realizar cursos e palestras para orientar os colaboradores e profissionais sobre a iniciativa.

* Estudante do 8º semestre de Jornalismo

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Descaso, uma peça teatral

Juliano Schiavo *

Seis meses confinada em um quarto escuro, janelas fechadas, lençóis sujos e com mau cheiro. Meio ano sem a possibilidade de sair, aproveitar os momentos da vida, desfrutar dos seus 83 anos. 

Valinhos, cidade do interior paulista, foi palco de um teatro do horror: Adelaide Martins, aposentada, foi a atriz principal que ganhou notoriedade "sem o glamour dos astros de cinema" mas, no alto de suas oito décadas de experiência,  atuou na peça que pode receber o nome "Descaso".

Adelaide foi mantida em cárcere privado pelo próprio neto, de 35 anos. Ele ficava, segundo a polícia, com cerca de R$ 7.000 mensais de três aposentadorias recebidas pela idosa. 

Foi libertada dia 6 de setembro, um dia antes de comemorarmos a "Independência do Brasil". Liberdade essa que não significa necessariamente reverência à vida. 

Ela sai de uma prisão domiciliar para entrar numa prisão social, cujas grades são edificadas pela ausência de respeito ao próximo.

O "Descaso" é uma peça tão recorrente na sociedade, é algo cíclico, estampado nas manchetes dos jornais. Repete-se diariamente com pequenas alterações e personagens. Enche a todos de revolta, mas essa é passageira, tal qual uma enxaqueca.

O índio pataxó, que dormia na calçada, foi queimado vivo por cinco adolescentes da classe média. Foi um ator, que sentiu na carne o que é participar dessa peça teatral. 

A doméstica espancada no Rio de Janeiro, confundida com uma prostituta - o que não é justificativa para tal atrocidade - também participou dessa peça. Hematomas, tonturas, dores de cabeça foram o presente pela sua atuação. João Hélio, 6 anos, também recebeu os holofotes. Foi arrastado e dilacerado por 14 ruas de quatro bairros no Rio.

Esses são alguns dos atores do "Descaso" que, sem pedir a ninguém, atuaram nesse teatro onde as vidas humanas são fantoches a bel prazer da violência.

O pior de tudo é que essa peça não é escrita a uma única mão e também não tem um único diretor. Ela é escrita por todos, em menor ou maior grau de participação, mas todos têm sua parcela de culpa. 

A omissão, a hipocrisia, o desdém pelo próximo, enfim, uma série de atitudes, que somadas, abrem as cortinas e nos dão esse show sanguinolento chamado "Descaso". Infelizmente os diretores não se tocaram da importância que tem diante dos fatos. É uma vergonha.

 
Juliano Schiavo, 20, é estudante de jornalismo do Isca Faculdades
E-mail: jssjuliano@yahoo.com.br

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Adoçante pode causar câncer

Juliana Silva e Paula Nunes *

O uso indiscriminado de adoçantes artificiais no Brasil está preocupando a Abran (Associação Brasileira de Nutrologia). O nutrólogo Edson Credidio, diretor da entidade, lembra que o produto é um medicamento e deve ser utilizado apenas por pessoas com diabetes e hipoglicemia.

Isso porque os adoçantes não são totalmente isentos de riscos.  Pesquisas realizadas com os quatro principais adoçantes, a sacarina, ciclamato, aspartamo - conhecido como aspartame - e o acessulfamo K, demonstram que, quando usados em excesso, podem causar diferentes tipos de câncer.

De acordo com Credidio, a sacarina pode causar câncer na bexiga, bem como os ciclamatos, que também podem gerar tumores de pulmão e fígado, a exemplo do aspartamo. "Muitas pesquisas querem convencer os profissionais da saúde sobre a inofensibilidade dos adoçantes, mas, infelizmente, só o tempo mostrará o quanto ele é prejudicial quando utilizado sem o devido cuidado".

A ingestão diária aceitável de sacarina é de 1 gota para cada 2 kg; e de ciclamatos, 2,5 gotas/kg. Quanto ao aspartamo, são  aceitáveis 8 gotas/kg e acessulfamo, 3 gotas/kg.

Credidio associa o uso de adoçantes por pessoas saudáveis ao tabagismo. "Eles [os fumantes] acham que nada acontecerá a eles".

Alimentos light, diet e zero também possuem adoçantes, lembra o médico. Ele alerta as pessoas que esguicham o produto, excedendo a ingestão diária aceitável. "Com certeza este indivíduo terá seqüelas a longo prazo e muitas vezes por falta de um esclarecimento dos órgãos responsáveis", explica. 

Ilusão
Os adoçantes são vistos pelo público leigo como emagrecedores. Essa imagem é construída pela mídia, levando o consumidor a acreditar que, com o uso do produto, terá um corpo perfeito. "Isso, na realidade, não passa de uma grande ilusão", argumenta o médico.


Para ter um corpo saudável, observa Credidio, é necessário seguir um plano alimentar pessoal e fazer esportes regularmente.

De acordo com o nutrólogo, a obesidade é, sem dúvida, o mal do século. "A solução não está em dietas da moda que prometem milagres ou a utilização de uma 'caipirinha magra' ou um doce magro. Não se iludam".

Segundo Credidio, os médicos nutrólogos são formadores de opinião e têm a obrigação de orientar seus pacientes sobre as verdades e inverdades relativas aos adoçantes, mesmo que isso leve a um mal estar para a riquíssima indústria dos fabricantes. 

Segundo ele, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) deveria obrigar as empresas a colocarem um alerta sobre de cada tipo de adoçante nos rótulos dos produtos. "Uma rotulagem obrigatória livraria essas empresas de pagarem, em futuro breve, indenizações de milhões aos usuários que adoecerem de patologias provocadas pelo uso abusivo de adoçantes".

Indenização
Um processo judicial que comprove a causa de uma patologia provocada por um medicamento dá direitos legais ao doente de abrir um processo contra a indústria por um período de até 30 anos. "Pacientes que adquiriram câncer de pulmão e alegaram que na época em que fumavam não sabiam das conseqüências lesivas ganharam milhões de dólares em indenizações".

Hoje com as advertências presentes nas embalagens de cigarro, fuma quem quer, mesmo sabendo que vai morrer, comenta Credidio. O consumidor tem o direito e o dever de ser avisado de qualquer possibilidade de se adquirir doenças por menor que seja o risco, conclui o médico.

* Publicado originalmente no jornal laboratório Em Foco, do curso de Jornalismo do Isca Faculdade
* Alunas do 6º semestre de Jornalismo

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quinta-feira, 6 de setembro de 2007

ESPECIAL Copyleft democratiza reprodução de obras


Daíza Lacerda *

A indústria da informação, com a expansão dos meios eletrônicos e digitais, tem contribuído para a reprodução de todo tipo de obra - sejam filmes, textos, imagens ou músicas. Na contramão da pirataria - ou cópia não autorizada de obras - os direitos autorais (copyright) estão cada vez mais difíceis de serem mantidos ou fiscalizados.


Para difundir livremente a produção e utilização de seus trabalhos por terceiros, artistas, escritores, fotógrafos e músicos vêm disponibilizando seus materiais sob a licença batizada de copyleft, onde o interessado pode usar e copiar a obra, mantendo os créditos para a fonte original. "Como o copyright significa direito de cópia, podemos dizer que o copyleft visa exatamente o contrário, ou seja, a exclusão desse direito de reprodução, tornando (principalmente em matéria de programa de computador) um direito de reprodução aberto, em que não haja necessidade de autorização. A obra pode ser reproduzida livremente, com o consentimento expresso do autor, na esfera dos direitos patrimoniais", esclarece o advogado João Augusto Cardoso, de Limeira, especialista em propriedade intelectual.

O conceito de copyleft teve origem no início dos anos 1980, quando o programador Richard Stallman, descontente com as restrições que os monopólios empresariais impunham aos programas de computador, impedindo o aperfeiçoamento dos sistemas, criou a Fundação do Software Livre (FSF, sigla em inglês). A idéia de Stallman era criar programas em "código aberto", que pudessem ser modificados e melhorados. Assim, nenhum programador poderia registrar o copyright, ou direitos reservados. Em 1984 surgiu então o copyleft, licença que visa garantir ao programador a liberdade de copiar, modificar e passar adiante o programa. A invenção de Stallman visava o aprimoramento do sistema, sem que fosse preciso pagar por isso.

O advogado João Cardoso explica que no Brasil, independente da licença, os direitos de autoria sobre programas de computador são garantidos desde 1998 por lei. "Assim, o software goza da proteção legal independentemente de registro".

Criador do site BR-Linux.org, referência nacional em software livre, o administrador Augusto Campos complementa: "O software livre não necessariamente precisa ser gratuito". O site de Campos é dedicado ao Linux, um sistema operacional livre criado pelo finlandês Linus Torvalds nos anos 1990. O símbolo do Linux é o pingüim Tux (ao lado).

A proposta do copyleft é o uso comunitário, possibilitando contribuições voluntárias ao conteúdo, que agreguem melhorias. A adesão à licença vem crescendo com a propagação de diversos tipos de obras na internet.

Exemplo é o site Creative Commons (CC), que tem a versão brasileira desenvolvida pela Escola de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e apoio do Ministério da Cultura. O CC licencia trabalhos dando ao autor opções para o grau de proteção da obra, garantindo cópia e distribuição com os devidos créditos. O autor pode disponibilizar áudio, vídeo, imagens ou textos escolhendo se permite ou não uso comercial ou modificações na obra, ou optar pelo domínio público.

Os altos custos de uma publicação e mesmo as exigências das editoras contribuem para o aumento de livros eletrônicos - ou e-books - disponibilizados pela internet. "Isso acontece também com obras já protegidas que são disponibilizadas pelos próprios autores para livre reprodução e distribuição", ressalta Cardoso.

 

Benefício social

Com a demanda de informação e evolução dos meios digitais, a inclusão digital é um desafio. Para vencê-lo há várias ONGs trabalhando, como o Centro de Democratização da Informação (CDI) de Campinas, que alia tecnologia e cidadania. A entidade  atende cerca de 120 jovens por ano.

Voluntário do CDI e mestre em Engenharia da Computação pela Unicamp, André Bordignon fez uma experiência com o uso de software livre por pessoas sem acesso aos meios digitais: "Em um mundo em que cada dia mais a informática faz parte da nossa vida, temos de ter soluções alternativas para democratizar o acesso à informação. Atualmente somente 20% da população brasileira tem acesso à internet. Esse número é extremamente baixo".

A adesão ao software livre é crescente. Segundo o administrador Augusto Campos, cresce o uso do Linux, especialmente em servidores corporativos. Campos complementa: "O que não tenho dúvida é de que a expansão do conhecimento livre é um ingrediente que pode ajudar a fazer crescer muito mais a participação do Brasil no mercado de informática". André Bordignon concorda: "Hoje a inserção do software livre se faz cada dia mais presente nas empresas privadas. Várias prefeituras de esquerda também já adotaram. Temos de continuar firmes e confiantes na busca da democratização com baixo custo".


Publicado originalmente no jornal laboratório 
Em Foco (Edição 46/maio/2007)

* Aluna do 6° semestre de Jornalismo (daiza.lacerda@gmail.com)

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ESPECIAL: Motogirls conquistam espaço em Limeira



Daiza Lacerda *

A saga diária dos motoboys é conhecida pela corrida contra o tempo e pelos constantes perigos no trânsito. Mas o trabalho sobre duas rodas, antes dominado pelos homens, começa a abrir espaço para o público feminino.


O número de mulheres pilotando motocicletas é crescente: em concessionárias de Limeira, o índice de vendas varia de 15% a 30%, dependendo da loja. Eduardo Panciero, gerente da Intermotos Sundown, diz que geralmente as motonetas são o carro-chefe das vendas, que chegam a 65% para elas. No caso das 125 cilindradas, aproximadamente 40% são compradas por mulheres. "Acredito que destas, 40% sejam destinadas ao trabalho", completa Panciero.

Com vendas para mulheres estimadas em 20%, Ademar José Custódio Junior, gerente da Official Suzuki, ressalta que o crescimento das vendas para o público feminino é constante: "Para elas, as vendas sobem média de 5% ao mês".

De acordo com o Ciretran, havia mais de 25 mil motos em Limeira até o final do ano passado, mas o departamento não tem dados atualizados sobre a frota, e nem estatística de habilitados. "Estimamos que do total de mulheres que tiram carta, 40% se habilitam em carro e moto, enquanto com os homens este índice é de 70%", informa o instrutor Fernando Moreira.

Em 1993, quando se habilitou para dirigir carros, Rosângela Gomes Delfino, 38, tinha pavor de moto. Hoje, a realidade é outra. Trabalhando como motogirl há três anos, Rosângela teve de se adaptar ao veículo: "Por necessidade, aprendi a gostar de moto. Hoje já não vivo sem ela!"

Fazendo entrega de alimentos durante o dia e à noite, a motogirl roda diariamente cerca de 150 quilômetros. Para quem começou como mototaxista, considera o serviço de entregas "sossegado". "As empresas já têm os clientes, então eu já sei pra onde eu vou. Como moto-táxi a gente carrega todo tipo de gente, já levei até bêbado", conta, falando da dificuldade em ter que controlar a moto e o desajeitado passageiro.

"Gosto muito de dirigir, amo o que faço. Apenas juntei o útil ao agradável!", declara Eliane Cristine da Silva, 27, que começou a trabalhar com moto há seis anos fazendo "bicos" de cobrança de telemensagens e entrega de revistas. Há três anos, ela trabalha em uma concessionária fazendo entrega de peças em Limeira e região. A motogirl fala também das desvantagens do trabalho: "Por causa dos mais abusados, os outros generalizam e acabamos sofrendo as conseqüências".

Motogirl há um ano e meio, influenciada pelo irmão que trabalhava com moto, Jaqueline Cristiane Herrero, 21, roda 1000 quilômetros por semana trabalhando para duas empresas com entregas de lanches e pizzas. Para ela, o que começou por necessidade, hoje considera lazer. E apesar de já ter sofrido três acidentes "sendo o último o mais grave em que ficou com 14 pontos na perna e dez dias sem trabalhar", a motogirl acha que a consideração pelo trabalho é o seu maior retorno: "No meu trabalho, sempre tenho ajuda para o que precisar".

Roseli Alves, 31, começou a trabalhar de moto há um ano. Fazendo entrega para fábrica de jóias, farmácias, gráficas e serviços de moto-táxi, roda 1500 quilômetrospor semana. Quanto aos passageiros, diz que ao contrário do que se pensam, os homens a respeitam muito, por ter certo receio com as mulheres na direção da moto. "Eles nem relam em mim, às vezes na lombada encostam sem querer e pedem desculpas, chega a ser engraçado", diz.

Instrutora de motos há 15 anos, Cristiane Aparecida Amador dos Santos, 34, diz que é cada vez maior o número de mulheres que se habilitam em moto, e que muitos candidatos preferem uma mulher ensinando: "Os candidatos me respeitam muito, mas a maior procura é pelas meninas, que se sentem mais seguras quando o instrutor é mulher". Em Limeira há dez instrutoras, sete delas de moto.

 

Assaltos e acidentes no caminho

"Só depois de ver o revólver na minha cara é que entreguei o malote", conta a motogirl Eliane Cristine da Silva. Ela tentou fugir de dois motoqueiros que a seguiram quando fazia um saque para a empresa, e aconselha: "Não façam isso de maneira alguma!". O assalto aconteceu há dois anos, em Limeira, e desde então não faz mais esse tipo de serviço e ainda é traumatizada com moto que acelera muito perto.

Como transportam desde refeições até documentos e dinheiro, as motogirls enfrentam risco de roubo freqüente. Além disso, presenciam "às vezes, como vítimas" muitos acidentes. Jaqueline fala do choque que foi ver um motoqueiro com fratura exposta: "Ele estava na minha frente, e cruzaram a sua preferencial. Ajudei a socorrer e fui testemunha a seu favor". "Um infeliz cortou a minha frente, e bati de lado no carro. Ainda me equilibrei e não deixei a moto cair, mas trinquei o dedão e o dedinho do pé!", diz Eliane.

Excesso de velocidade, desatenção e até animais complicam ainda mais o trânsito. Roseli conta o caso de um amigo moto-taxista que foi desviar de um cachorro num cruzamento. Nem ele e nem o carro que vinha parou e o resultado foi vários ossos da perna quebrados.

Luxação no pé e sete dias "de molho" foi o saldo de uma colisão sofrida por Rosângela: "Sem tempo de frear, bati na porta de uma caminhonete que saiu com tudo de uma garagem". Detalhe agravante: tinha chovido e o chão estava liso, afinal, a chuva também é inimiga do motociclista. "É muito incômodo e perigoso dirigir na chuva, tem que redobrar a atenção", diz Cristiane.

 

Muita calma nessa hora!

Muitos candidatos a motociclistas adquirem moto e começam a dirigir antes de ter a habilitação em mãos. Para estes, Cristiane destaca o valor da atenção e responsabilidade nas ruas: "É um veículo perigoso. Nas aulas, os candidatos são preparados para prestar exame prático, mas no dia-a-dia é outra coisa. É preciso ter noção de trânsito".

E esta não é uma obrigação só de quem dirige moto. As motogirls são unânimes nas reclamações contra veículos grandes que "só faltam passar por cima", muitas vezes sem sinalizar.

Mas, muita calma nessa hora - tanto para os motoqueiros quanto para os motoristas em geral: Eliane conta que já foi perseguida por um carro por ter buzinado e xingado quando este "embicou" em sua preferencial. "Depois daquele dia eu penso muito antes de fazer alguma coisa, pois eu poderia ter tido um grande problema", declara.

Nos cruzamentos, o perigo não é só os veículos. A atenção e cooperação dos pedestres também é fundamental para evitar acidentes. "Pessoas de qualquer idade, senhores, mães com crianças não param no sinal e entram na frente. Nós é que temos que parar, porque além de tudo levamos multa por qualquer coisa e eles não", lembra Roseli.

Outro problema é o fato de as motos de baixa cilindrada - como as 125cc ou 150cc, geralmente as mais usadas para trabalho - serem as mais visadas para roubo. Das motogirls entrevistadas, apenas uma tem moto no seguro graças a uma parceria da concessionária com uma empresa do setor que propôs um valor considerado acessível. Do contrário, o valor do seguro pode se igualar ao da moto, e ainda assim a maioria das seguradoras só trabalha com veículos acima de 250cc.

 

Afinal, por que moto?

O que se percebe nas ruas de Limeira é que um número cada vez maior de mulheres opta pela moto como meio de transporte. Apesar disso, Cristiane diz que "na maioria das vezes, os pais não apóiam as mulheres a tirarem carteira de motocicleta e isso influencia muito no aprendizado delas". No trabalho, algumas alegam que o preconceito existe, mas a admiração é maior. "Ás vezes acabamos cometendo infrações, e sempre tem um na rua que manda ir pilotar fogão, mas onde trabalho sou respeitada e admirada. Conquistei o meu espaço", diz Rosângela. Eliane concorda: "Financeiramente gostaria de ter um maior reconhecimento, mas se sinto admirada, pois não é qualquer um que faz o que eu faço".

Segundo Roseli, seus passageiros acabam se surpreendendo: "Eles ficam receosos de andar com uma mulher pilotando, mas depois admitem que somos muito mais cuidadosas que os homens, que têm muita pressa". Jaqueline conta que sofreu preconceito de um antigo patrão: "Cheguei até a discutir e querer largar o serviço, foi muito desagradável". Hoje ela trabalha com outros entregadores, e se sente reconhecida no trabalho.

A agilidade e baixo custo de manutenção são pontos fortes da moto. E, apesar de todos os riscos, a independência é o que motiva as motogirls. "Não tenho patrão, e faço o meu horário e meu salário", diz Roseli.

Cristiane diz que uma dificuldade do seu trabalho é quando o candidato recusa o fato de não estar preparado para o exame prático. "Mas tudo tem sua vantagem. Para mim é muito gratificante quando o candidato passa no exame e diz muito obrigado. Isso vale todo o seu esforço e dedicação".

 

Alguém se habilita?

As motogirls dão dicas para quem quer se aventurar a trabalhar no trânsito. Para Cristiane, "não basta apenas trabalhar por necessidade financeira; tem de gostar da moto e do serviço que vai prestar". Além do gosto por motos, prudência e paciência são fundamentais. "A moto é uma excelente ferramenta nas mãos de um grande trabalhador", diz Eliane.

Estresse? Nem pensar! Para Roseli, nervosismo na rua é inútil. Ela observa que o serviço é arriscado, mas "distrai, passa rápido. Com o tempo adquirimos experiência e aprendemos os macetes".

Saber pilotar para si e para os outros também é importante. Como nem sempre as motos são vistas pelos outros veículos, é recomendável buzinar constantemente e estar atento ao retrovisor. Jaqueline aconselha ao motoqueiro estar sempre munido de um bom mapa: "Muitas vezes é o seu melhor amigo".

 

Os números do perigo

Em Limeira, foram registradas 1335 ocorrências de acidente envolvendo motos em 2006. Os dados são do Departamento de Trânsito da Prefeitura, e apontam ainda que nesse total de acidentes 10 pessoas morreram e 1270 ficaram feridas. Das ocorrências, 759 envolveram automóvel (56,85%); 74, motocicleta (5,54%); e 35, caminhões (2,62%). Os ônibus representam 5,62%, com 75 registros.

De acordo com a Assessoria de Imprensa da Santa Casa de Limeira, nos meses de março, abril e maio deste ano foram registrados, respectivamente, 50, 35 e 34 atendimentos relacionados a acidente de moto.

Além dos riscos de acidente, a moto é um veículo bastante visado por bandidos. Gildo Ciola, investigador da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Limeira, informou que no mês de maio houve 5 ocorrências de furto e 9 de roubo, enquanto a média mensal é de 8 a 14, nos dois casos. O roubo é caracterizado por ameaça ou violência ao condutor, e furto é a subtração do veículo sem a presença da vítima. 

 Publicado originalmente no jornal laboratório Em Foco (Edição 48/julho/2007)

* Aluna do 6º semetsre de jornalismo (daiza.lacerda@gmail.com)



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Agência Nova de Notícias retoma atividades

Da Redação *

A Nova, agência de notícias do curso de Jornalismo do ISCA Faculdades, está voltando às atividades. O principal objetivo da Agência Nova é envolver os estudantes de todos os semestres na prática da profissão, oferecendo informação de qualidade à comunidade interna e externa.


Nesta nova fase, estudantes do 2º, 6º e 8º semestres estão envolvidos na produção de notícias e reportagens, como você poderá conferir a partir de hoje. Pauta, apuração, redação, edição e atualização on-line de textos jornalísticos estão entre as atividades a serem desenvolvidas. Material enviado por entidades, órgãos públicos e assessorias de imprensa, e que sejam considerados de interesse público pela redação, também serão disponibilizados no site.

A atualização do conteúdo será semanal, com acompanhamento direto das professoras Socorro Veloso (editora) e Daniella Rubbo (webdesigner), além da coordenadora do curso, professora Milena Castro.

Mais informações sobre o funcionamento da Nova pode ser obtidos pelo e-mailssocorroveloso@uol.com.br e rubbo@uol.com.br.

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O governo federal de São Paulo

Rafael Sereno *

Para ficar no jargão presidencial, nunca antes neste país houve uma eleição tão antecipada quanto à de 2010. Desde janeiro, as ações de bastidores e as estratégias de governo de José Serra (PSDB) estão profundamente ligadas ao próximo pleito presidencial.


Em posição de extrema visibilidade, Serra adota uma política de oposição sem ser destrutivo com Lula. Criou um piso regional, que na prática terá abrangência restrita, mas lhe servirá para dizer que seu mínimo foi maior do que o dado pelo atual presidente. Se o governo aposta no Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), cujas metas estão estipuladas para 2022, Serra apressou-se em criar as suas até 2010, bem mais viáveis e rápidas de se cumprir.

Em meio à crise aérea, Serra fez uma contraposição eficiente ao governo federal, propondo soluções enquanto o governo ainda "batia cabeça" para dar uma resposta ao País. Opôs-se à construção de um terceiro aeroporto em São Paulo, idéia anunciada pela ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, ainda no calor da tragédia da TAM, e defendeu a ampliação de aeroportos pelo interior do Estado. Um mês após o acidente não se fala mais no novo aeroporto, e Viracopos e Jundiaí ganharam força com o ministro Jobim, principalmente com as necessidades de interdição de Guarulhos para obras na pista nos próximos três meses.

Sem contar o anúncio de uma linha de trem ligando Cumbica ao centro de São Paulo, já a partir de 2008. Mesmo com tantos atritos com as universidades este ano, Serra também amealha apoios pelo interior de SP anunciando Fatecs a torto e a direito. Desprezou a expansão universitária e pôs mecanismo disfarçável de controle sobre elas, com a criação da Secretaria do Ensino Superior.

Serra é o candidato mais forte à sucessão de Lula e sabe governar o Estado com uma estratégia federal. O faz para criar um ambiente interno de modo a unir o PSDB em seu entorno. Nesse sentido, está anos-luz à frente de Aécio Neves e Geraldo Alckmin. Lula não faz idéia de quem será candidato. Fala-se em Jacques Wagner, Ciro Gomes, Dilma Roussef, da mesma forma como se falava de José Dirceu, Antônio Palocci e até - hoje impensável - Marta Suplicy. Sonha com Aécio no PMDB, mas aposta também na firmeza de Jobim. É nesta brecha política que hoje se fortalece Serra. Faltam três anos para 2010, mas a campanha está mais aberta do que se imagina.


* Rafael Sereno, 23, aluno do 8º semestre de Jornalismo, foi editor da Agência Nova e colaborador do Núcleo de Comunicação (Nucom). Atualmente, é repórter da Gazeta de Limeira, onde cobre economia, negócios, desenvolvimento educação, ciência e tecnologia, e mantém um blog na rede:www.oinformante-rafasereno.blogspot.com

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