sexta-feira, 26 de outubro de 2007

TCC expõe dura rotina de mulher bóia-fria

Gustavo Nolasco e Mariana Antonella*

A vida de mulheres que trabalham em canaviais é o tema do trabalho de conclusão de curso de Célia Regina dos Santos, estudante de Ciências Sociais do Isca Faculdades. O trabalho foi debatido durante o primeiro colóquio do curso, realizado na última semana de setembro. Outro trabalho apresentado na ocasião foi o do estudante Filipe Zanuzzio Blanco, que aborda a questão das rádios comunitárias como mídias alternativas. Ouvidos pela reportagem da Agência Nova, Célia e Filipe explicam por que decidiram trabalhar com essas temáticas.

Sobre a realidade das mulheres bóias-frias, e o modo como conciliam o trabalho, a casa e os filhos, Célia diz que esta é uma "relação muito difícil e complicada". "É um cotidiano árduo, pois a mulher acorda às 4 da manhã para preparar o almoço para ela e o marido, que muitas vezes também é trabalhador rural. Se tem filhos, ainda de madrugada os prepara para irem à creche ou escola. Toma um ônibus às 6 horas até o canavial e começa o trabalho às 7 horas, permanecendo ali até às 16. Depois, pega os filhos e retorna a sua casa para terminar o serviço doméstico". 
Como o salário do bóia-fria é calculado através da quantidade de cana cortada, os homens, que possuem maior força física e resistência, acabam ganhando mais que as mulheres.
Os trabalhadores levam a própria comida para a lavoura, daí o nome "bóia-fria". A Usina Iracema e empreiteiras fornecem marmitas térmicas que conservam a temperatura do alimento por um determinado tempo, porém, alguns trabalhadores preferem não usá-las, alegando que com algum tempo de uso, por serem de plástico, deixam a comida com gosto ruim.
Sobre a inserção das mulheres nesse mercado, Célia diz que as trabalhadoras se vêem na obrigação de ajudar seus maridos, e como não possuem um nível de escolaridade que as permitam ingressar em outra profissão, acabam procurando o trabalho rural. "Entre as entrevistas que fiz com as bóias-frias, vale lembrar a de uma senhora que trabalhava desde os dez anos de idade como bóia-fria. Ela me contou que desde que era recém-nascida, os pais dela já trabalhavam no campo e a levavam para o local. Ou seja, ela passou toda a vida em contato com o campo". Mais tarde, a mulher teve a mesma atitude com os filhos. "Essa história exemplifica como o trabalho rural perpassa as gerações de uma mesma família".
Célia procurou pesquisar as condições psicológicas das mulheres, a sociabilidade e o preconceito que sofrem por serem bóias-frias. "Também tento criar um parâmetro entre o passado e o presente, visando entender as mudanças que ocorreram na profissão. Tento levantar questões como a dificuldade nesse tipo de trabalho, se realmente vale a pena cortar cana para sobreviver, ou se essa profissão já se tornou um hábito na vida dessas mulheres".
Mídias alternativas
O aluno Filipe Blanco, por sua vez, escolheu discutir o papel das rádios comunitárias em seu trabalho de conclusão de curso. "Escolhi uma rádio comunitária que me daria respaldo para conscientizar as pessoas politicamente, o que não conseguiria numa rádio privada". Segundo ele, apesar do governo "atacar" as mídias alternativas, o movimento social em favor deste segmento está crescendo. "Espero atingir as camadas mais exploradas da população e inflamá-las politicamente para que adquiram um pensamento crítico em relação às instituições. E também que elas possam se organizar em movimentos sociais e combater a tragédia que é o capitalismo".
Felipe observa que seu estudo foi realizado a partir do ponto de vista dos receptores, ou seja, dos ouvintes de uma determinada rádio. "A primeira questão que levantei foi se as mídias convencionais são totalizantes, e concluí que não, pois os receptores têm uma visão diferente e heterogênea em relação a elas", observa.

* Estudantes do 2º semestre de Jornalismo do Isca Faculdades e repórteres da Agência Nova

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Itaú Cultural seleciona projeto de docente do Isca

DA REDAÇÃO *

A professora Adriana Pessatte Azzolino, do curso de Comunicação Social do Isca Faculdades, teve um projeto selecionado no programa Rumos de Jornalismo, promovido pelo Itaú Cultural. Noventa e oito faculdades de todo o país inscreveram 238 trabalhos, dos quais 26 foram selecionados.

"Formação do estudante em Jornalismo Cultural: trabalhos experimentais e sensibilização estética do jovem universitário com base na reflexão sobre imagem, novas tecnologias e novas linguagens" é o título do projeto apresentado por Adriana. Graduada em Comunicação Social e Ciências Sociais, a professora é especialista em História e Cultura pela Unimep, tem mestrado em Educação pela Unicamp e doutorado em Comunicação pela ECA-USP.
Talentos
O objetivo do programa Jornalismo Cultural 2007/2008 é incentivar a criação artística e intelectual brasileira. Ele mapeia talentos nas diversas áreas de expressão e do conhecimento, apóia a formação dos contemplados e promove a articulação e conexão entre eles e os diversos agentes envolvidos - pesquisadores, jornalistas, formadores de opinião, curadores, artistas, técnicos. Além disso, emprega recursos para a produção e difusão de suas obras.
De março a novembro de 2008 os estudantes selecionados receberão um conjunto de 20 livros, entre outros produtos culturais, participarão semanalmente de um exclusivo laboratório online de jornalismo cultural - atividade pela qual receberão uma bolsa mensal de R$ 550, em valores brutos. Durante esse período, e com orientação do editor do laboratório, cada contemplado criará uma pauta - a ser elaborada no primeiro semestre, quando receberá um bônus de R$ 500 para despesas de produção da matéria. Na entrega dessa reportagem, receberá R$ 900 pelo licenciamento de direitos de publicação ou exibição. As matérias dos selecionados não serão publicadas individualmente, mas no final do ano a instituição lançará um livro, acompanhado de CD, que apresentará todas as matérias produzidas pelos selecionados durante 2008. 
Já para os professores contemplados há um pagamento de R$ 500 pelos direitos autorais de publicação dos trabalhos selecionados no site do Itaú Cultural. Também receberão 30 livros, assinaturas de revistas de cultura, além da participação de um exclusivo Fórum Virtual mensal sobre jornalismo cultural - de março a novembro de 2008, a cada mês com um convidado de renome na área - cujo conteúdo será editado e integrado a um produto com todos os trabalhos desenvolvidos pelos selecionados nas duas carteiras, mediante licenciamento de R$1.100,00, entre outros prêmios. 
A divulgação dos selecionados, os seus trabalhos e os integrantes da comissão pode ser encontrada no site www.itaucultural.org.br/rumos2007. 

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O homem-jambo

Juliano Schiavo *

Às vezes, o simples ato de olhar pela janela conduz a reflexões. Em frente ao mundo que se abre diante do olhar, há diversos elementos que servem para instigar o pensamento.

Ao observar um pé de jambo, não pude deixar de pensar a respeito dessa planta. O jambeiro não é uma árvore brasileira; originou-se no sudeste da Ásia. Foi trazido ao país pelos portugueses e vive mais de cem anos. Na época da floração, costuma exalar um perfume adocicado. É conhecido pelos ingleses como rose-apple por produzir uma fruta amarelada, com leve gosto adocicado e aroma de rosas.
O fruto engana quem nunca teve a oportunidade de prová-lo. Parece consistente e envolvente com seu perfume de rosas. Parece carnudo e saboroso. Brinca com os olhos humanos - que se deixam enganar com freqüência -, e de forma marota, fisga a atenção.
Lá se vão pedras, pedaços de galhos, chinelos em uma só direção: a do jambo maduro. Várias tentativas - o jambeiro, muitas vezes, é alto - e se tem o primeiro acerto. A gravidade faz seu papel e atrai ao chão o pequeno fruto que, em contato com o solo, muitas vezes se espatifa e acaba com a mentira. Espatifado no chão, revela que é vazio, sem consistência. Por dentro, apenas uma semente. 
É comum algumas pessoas se passarem por jambo. Aparentam ter consistência, sumo, substância, mas no fundo são ocas, vazias, apenas um vácuo de insensatez e inverdades. Pregam uma coisa, fazem outra. Mostram-se fortes, mas são fracas. Assim como o jambo, que aparenta ser um fruto carnudo, mas é, na verdade, oco.
É importante aprender a diferenciar as pessoas não pelo que falam, mas pelo que fazem, pois o discurso é sempre belo, assim como o perfume do jambo é sempre doce. Por isso, a cautela com as pessoas-jambo é fundamental.
 
jssjuliano@yahoo.com.br

* Estudante do 6º semestre de Jornalismo do Isca Faculdades

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terça-feira, 23 de outubro de 2007

Tropa de Elite: o debate na imprensa

Seleção: Daíza Lacerda *

A torcida da caveira talvez seja mais um sintoma da crise moral e institucional que ronda a segurança pública no Brasil. Há algo de profundamente errado em uma sociedade que só aplaude sua polícia quando ela se comporta como o bandido.

Jerônimo Teixeira, Veja, 06/10/07

As milhares de cópias piratas buscadas com fome, as platéias sideradas quase sexualmente pelo sangue mostram que nós somos os personagens de um país sem enredo, que estamos famintos de que algo aconteça, de que alguma forma de justiça se faça, de que alguma organização apareça, de que não haja só aquela polícia podre que rouba peças de carros da PM para vender, de oficiais pegando jabá do bicho, de que haja heróis incorruptíveis e machos vingadores de nossa insegurança. (...)

As multidões vão ver esse filme porque querem que ele seja uma resposta.

Não interessa se "Tropa de elite" é um filme ruim ou bom. O que conta é a fome de "solução" que ele desperta em nós.

Arnaldo Jabor, O Globo, 09/10/07

 

 

Bem pior do que aplaudir as torturas praticadas por Wagner Moura em Tropa de Elite é aplaudir as torturas praticadas em nome de Renan Calheiros no Senado. É o que está acontecendo comigo. Eu sei que é errado, mas aplaudo toda vez que, em sua desavergonhada defesa de Renan Calheiros, Ideli Salvatti aparece na TV como se estivesse com um saco plástico enfiado na cabeça, sem ar, com a jugular inflada. E aplaudo toda vez que Aloizio Mercadante esperneia como se estivesse sendo ameaçado com um cabo de vassoura.

Diogo Mainardi, Veja, 14/10/07

 

 

A repercussão emotiva a respeito do filme, afinal, não tem a ver apenas com ele. Tem a ver com um momento histórico em que a lenta melhora do Brasil é insuficiente para reduzir de modo expressivo o estoque da dívida social, da imensa carência de renda e justiça, de problemas como a violência urbana. (...)

Enquanto isso, os políticos de todos os partidos não param de sugerir que uma propina justifica a outra, tal como os personagens de Tropa de Elite. No mundo de Renan Calheiros, os extremos afundam juntos.

Daniel Piza, Estadão, 14/10/07

 

 

Essa maneira de entender o social oferece a todos uma compensação substancial: se a lei não é a referência comum, podemos ser assaltados nos faróis, mas também podemos praticar cada tipo de mediocridade moral e de ilegalidade (...).

[Sobre a justificativa da pirataria] Havia o estilo "eu não serei o único otário", que, grosso modo, diz assim: "Se Renan Calheiros é presidente do Senado, eu posso comprar um DVD pirata". E havia o estilo "está na hora de mudar", em que um ato que nega a propriedade intelectual é justificado diretamente pela injustiça social dominante. Valia tudo, salvo o óbvio: pela lei, piratear é crime. (...)

Se quiser pensar e viver a realidade nacional um pouco além dos limites impostos pela consciência culpada, não perca "Tropa de Elite".

Contardo Calligaris, Folha de S. Paulo, 11/10/07

 

 

A missão que Tropa de Elite cumpre agora foi iniciada por Cidade de Deus, que desmantelou os estereótipos do criminoso coitado e do bandido camarada (figuras que, logo a seguir, Carandiru reinstauraria com veemência). (...)

O impacto de Tropa de Elite mostra com clareza que o cinema nacional precisa de uma nova sociologia. A platéia sabe que escolher entre uma polícia corrupta e uma polícia violenta não é escolha. Mas dá sinais de que não quer mais ver a bandidagem mitificada.

Isabela Boscov, Veja, 12/10/07

 

 

O que os "playboys" do relativismo rejeitam é a evocação da responsabilidade dos consumidores de droga na tragédia social brasileira. (...)

[A ética entre o personagem Matias e o capitão Nascimento]  revela não a convivência entre as diferenças, mas a conivência com o crime de uma franja da sociedade que pretende, a um só tempo, ser beneficiária de todas as vantagens do estado de direito e de todas as transgressões da delinqüência. (...)

Quem consome droga ilícita põe uma arma na mão de uma criança. É simples. É fato. É objetivo. (...)

O filme submete a um justo ridículo a sociologia vagabunda que tenta ver a polícia e o bandido como lados opostos (às vezes unidos), mas de idêntica legitimidade, de um conflito inerente ao estado burguês.

Reinaldo Azevedo, Veja, 12/10/07

* Daíza Lacerda é estudante do 6º semestre de Jornalismo do Isca e editora da Agência Nova

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Polícia para quem precisa

Daíza Lacerda *

Quase todo mundo já viu (o ibope estima 11 milhões de espectadores de cópias piratas), e a discussão em torno da cruzada do capitão Nascimento está longe de acabar.
Depois do documentário
 Ônibus 174 (que mostrou "a sociedade que estamos construindo"), o diretor José Padilha revela sem dó a crueza da guerra urbana nos morros do Rio de Janeiro. Alguma novidade? Ficção? Realidade.

Tropa de Elite, que tem entre os roteiristas Bráulio Mantovani - sim, o mesmo de Cidade de Deus - não traz nada menos do que já se conhece: a cumplicidade de policiais com o tráfico, que é sustentado pela classe média consumidora e combatido com violência pelo Bope (Batalhão de Operações Especiais, da PM no Rio de Janeiro). Na tênue linha que separa a paz e a guerra no morro, o idealismo e a corrupção, o filme desmistifica as "boas intenções" tanto das autoridades como dos bandidos.
Inspirado no livro
 Elite da Tropa, escrito pelos policiais Rodrigo Pimentel e André Batista, e pelo antropólogo Luiz Eduardo Soares, o filme incomoda pela violência, mas traz uma certa sensação de alívio pela integridade do Bope em comparação aos corruptos da PM "convencional". Mostra uma atitude, de fato, para o bem ou para o mal, fazendo o Batalhão viver seus dias de glória e ser ovacionado por onde passa. Por essas e outras, é amar ou odiar.
Em um país com tanta corrupção e impunidade, a violência se justifica? Em pesquisa da Vox Populi encomendada pela revista
 Veja, 72% dos entrevistados disseram que os traficantes do filme são tratados como merecem. Em contrapartida, 51% não concordam com a tortura como meio de se obter confissões. Isso em relação aos bandidos dos morros. Mas quem não sentiu um mínimo de satisfação na cena do treinamento, em que um policial corrupto é humilhado?
A questão é controversa. Um policial militar ganha cerca de R$ 800; se for do Bope, R$ 1.300, em média. Com os salários e as condições de trabalho que tem, ou o oficial é movido pelo idealismo ou pela corrupção. Esta é uma das causas do círculo vicioso que envolve a [falta de] segurança no país.
Mas como a responsabilidade é também da sociedade, a abordagem fílmica da classe média que sustenta o tráfico e a violência é pertinente. Na lei do capitalismo, só sobrevive o que tem mercado, e assim é o tráfico. E quem não é nem traficante, nem usuário e nem policial, se limita à indignação diante da trágica realidade social.
Em cada trabalho de Padilha é possível perceber uma ótica diferente das conseqüências de uma sociedade inerte, sobretudo as autoridades - lembrando os ataques do PCC, em que cidadãos de vários estados ficaram esperando por quem os defendesse. Em
Ônibus 174, a história do bandido Sandro, vítima do descaso e da miséria - gerida por quem? Em Tropa de Elite, a realidade da polícia em duas vertentes: a dos corruptos do "sistema" e a dos honestos e justiceiros. 
Então, quem é o bandido e quem é o mocinho? Ainda buscamos a resposta, mas é certo que os brasileiros estão cada vez mais intolerantes com a corrupção e a falta de segurança. No desespero, a violência combatida com violência passa a ser aceita, mas não se legitima, é claro.
Depois do livro
 Rota 66, de Caco Barcellos, muita gente deixou de ver a polícia com os mesmos olhos - pelo menos no que se refere aos batalhões especiais para as guerras nos morros e nas ruas. Na obra, Caco investigou a polícia que atira primeiro e pergunta depois, e as vítimas inocentes desses abusos. Já em Abusado, detalhou o funcionamento do tráfico na favela, e a influência e poder que envolve. Tropa de Elitetambém aborda o abuso: seja quem for, se delatar algum traficante, "já era". E depois a mãe vai aos prantos cobrar do capitão Nascimento o direito de enterrar o filho.
Caso de polícia ou de política, que a discussão não se abrande - pelo menos até que outra bomba estoure novamente, seja por meio da violência do bandido ou do policial, ou por outra obra que nos convide a aceitar que o caos social existe e grita, esperneia por soluções em um país de política desavergonhada.

* Daíza Lacerda é estudante do 6º semestre de Jornalismo do Isca e editora da Agência Nova

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sexta-feira, 19 de outubro de 2007

ARTIGO - Vítimas do tecnoestresse


Juliano Schiavo *

Diante de uma tela de televisão, um controle remoto na mão que não funciona corretamente. Os dedos, já tensos, passam a apertar os botões freneticamente, cada vez com mais força. Daí por diante, xingos, brados, raiva. 

O mesmo vale quando o computador - onde estão todos os seus arquivos pessoais - decide não ligar. Gritos, (m)urros, socos, uma explosão de ódio e fúria por causa da maldita máquina que não obedece.
A tecnologia que facilita a vida ? por exemplo, permitindo ao cidadão pagar suas contas em casa e escapar das monstruosas filas bancárias -, também tem se transformado em fator de estresse.
Quem nunca se pegou xingando um aparelho eletroeletrônico que decidiu não obedecer às suas ordens, que aperte o primeiro botão de play que aparecer na frente e continue cultivando essa paciência invejada. A tecnologia, que por alguns momentos é aliada, pode se transformar no vetor de sérias complicações da saúde.
Insônia, dor de cabeça, dor de estômago, problemas gastrointestinais, depressão, enfim, uma série de fatores são frutos do tecnoestresse e da vida corrida.
Na ânsia involuntária de acompanhar a rapidez do mundo, deixa-se de lado o ritmo biológico e segue-se, maquinalmente, uma vida regada pela pressa insensata. Não se tem tempo para o almoço ? que se converteu apenas numa pequena fração de tempo para repor energias no corpo. Não se tem tempo para descansar ? há cada vez mais tarefas, cuja tecnologia permite realizá-las de maneira espantosamente rápida, mas não espantosamente relaxante. Faz-se muito em pouco tempo e a todo momento. 
A essência humana moderna foi soldada num corpo de carne e osso, que funciona em ritmo acelerado. A fome, o sono, a vontade de sorrir, de ficar solitário, tudo foi confinado por grades que emanam um tic-tac sem fim. 
Conclui-se que a tecnologia, pensada para trazer conforto, gera desconforto. Feliz daquele que não se contamina com o estresse, não sofre com ansiedade, não faz de sua vida um ponteiro. Esse aprendeu a viver e a desfrutar da efemeridade das situações. Esse aprendeu a valorizar o ritmo biológico porque sabe que é um ser humano e não uma máquina.
O difícil é descobrir tudo isso quando a vida parece guiada por ponteiros acelerados e invisíveis. Quem não se aliena é que será chamado de louco.

* Estudante do 6o semestre de Jornalismo do Isca Faculdades

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Palavras da língua portuguesa perderão acento

Lilian Geraldini *

O processo de unificação da língua portuguesa está em andamento e os oito países que usam esse idioma - Moçambique, Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Portugal, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Brasil - seguirão o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em 1990, em Lisboa. 

O acordo esperava pela aceitação de pelo menos três desses países. O Brasil foi o primeiro a ratificar a adesão, assim como Cabo Verde e recentemente, São Tomé e Príncipe. Portanto, ao que tudo indica, até o final deste ano todos os "irmãos de língua portuguesa" escreverão da mesma maneira.
O acordo foi proposto com o objetivo de contribuir para a difusão do idioma no exterior. O deputado José Lourenço (PMDB- BA), que nasceu em Portugal, sugeriu a unificação dos livros didáticos de ensino fundamental nas disciplinas português, matemática e ciências, como forma de facilitar o aprendizado.
Embora se modifique a ortografia, a pronúncia de cada nação será mantida. Mesmo assim, teremos de nos habituar, por exemplo, com o fato de que os vocábulos paroxítonos terminados em "o" duplo - como enjôo e vôo - serão agora escritos sem o acento circunflexo (enjoo, voo). E ainda teremos de nos lembrar de que "conseqüência" perderá o trema, já que este será abolido definitivamente. Além disso, o alfabeto terá 26 letras, e não mais 23, pois serão incorporados o "w", o "y" e o "k". 
Para a professora Élina Barbosa, que ensina língua portuguesa e literatura para estudantes de ensino médio em Piracicaba, desde que se mantenha a significação das palavras, as mudanças serão bem-vindas, visto que têm o propósito de auxiliar no aprendizado. O problema, segundo ela, é que nem todas as pessoas vão se acostumar com essa nova maneira de escrever.
"Se pensarmos em termos de globalização, o novo Acordo Ortográfico será ótimo. O único problema é que no Brasil as mudanças são pouco divulgadas. Será que todos terão acesso a esse novo modelo", questiona a analista contábil Luzia Turrioni, 34, acrescentando: "E as crianças que  passaram do processo de alfabetização? Elas terão professores habilitados para ensiná-las novamente?". 
Diretor da Rádio Difusora de Piracicaba, o jornalista Marcelo Bongagna, 39, também acredita que as mudanças serão benéficas, e defende que deveriam ocorrer pelo menos a cada década. "É preciso adequar a língua portuguesa à modernidade. Com relação ao ensino não vejo problema. Não creio que uma mudança na família das palavras provoque dificuldade no aprendizado". 
Informática
 O bacharel em Ciências da Computação, Everton Nunes, 26, acredita que para sua profissão o acordo "será útil". Ele ressalta que na informática o uso do hífen e do trema, por exemplo, dificulta a linguagem da programação. "É preciso fazer uma base de dados específica para vocábulos em que é necessário o uso desses auxiliares".
Para alguns, porém, a reforma não tem grande utilidade. É o caso da ex-professora universitária Maria Luiza de Almeida Leme, que atualmente trabalha no ensino médio. Ela avalia a situação como "ilógica" e acredita que não há base científica para essa reforma da língua, levando em conta que o entendimento do dialeto é possível em qualquer uma das nações que utilizam o português como língua mãe. A professora critica a decisão do governo: "Não acrescentará nada ao aprendizado dos alunos, além do que o custo com a reformulação e reimpressão de livros e dicionários será altíssimo".   

* Estudante do 2o semestre de Jornalismo da Isca Faculdades

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Estudantes do ISCA visitam redação do JP

Lilian Geraldini *

Estudantes do segundo semestre do curso de Jornalismo visitaram na terça-feira, 9, a redação do Jornal de Piracicaba. Conduzida pela redatora-chefe do jornal e docente do Isca, Rosemary Bars, a visita teve como objetivo complementar as aulas de Teoria de Jornalismo, ministrada pela professora.

Os estudantes puderam entender como funciona a redação de um veículo impresso, como ocorre o processo de impressão das páginas e qual o tipo de papel utilizado. Também viram como o JP, hoje com 107 anos, desenvolveu-se ao longo do século, e tiveram uma aula de diagramação com o editor da área, Carlos Eduardo Luccas Castro.
 Castro observou que o JP costuma receber a visita de alunos, da pré-escola à universidade. Segundo ele, essas ocasiões permitem despertar um olhar diferente sobre o jornal, e também sobre o trabalho que a equipe desempenha. "Todos que vêm aqui voltam com uma visão diferente", disse.
 A fim de que os alunos obtivessem complemento dos assuntos abordados em sala de aula, a professora Rose decidiu levar os alunos à redação: "É importante conhecer o sistema, os procedimentos e técnicas de produção, apesar de que os princípios do jornalismo são os mesmos em qualquer lugar". Ela lembrou que o JP é um dos únicos jornais da região a possuir sistema de produção digitalizado.

* Estudante do 2º semestre de Jornalismo do Isca

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Pastoral da Sobriedade combate alcoolismo

Kendra Martins *

Só por hoje. Ou: por hoje, não. Essas frases são freqüentes nas reuniões da Pastoral da Sobriedade, realizadas uma vez por semana nas paróquias de Santa Luzia, Nossa Senhora Aparecida, Nossa Senhora de Lurdes e Menino Jesus, entre outros grupos que estão se formando na Diocese de Limeira. 
Nos encontros, os integrantes da pastoral procuram ajuda para problemas que enfrentam com relação a álcool, drogas e depressão, entre outros. É uma proposta semelhante a dos Alcoólicos Anônimos (A.A.), mas voltada para a espiritualidade.


A Pastoral da Sobriedade foi uma iniciativa do bispo Dom Irineu Danelon, da cidade de Lins, que também criou a Pastoral da Juventude. Dois familiares do religioso enfrentaram problemas com alcoolismo e uso de drogas, o que motivou Dom Irineu a fazer algo para ajudar as pessoas dependentes. 
Na reunião da Conferência Nacional dos Bispos (CNBB) de 1998, o bispo propôs a criação da Pastoral da Sobriedade e se dispôs a realizar esse trabalho, criando os núcleos que hoje estão presentes em quase todas as dioceses.
Segundo o padre Reynaldo Ferreira de Melo, coordenador geral das pastorais de Limeira, os grupos realizam encontros entre os dependentes e seus familiares, para discussão dos problemas. "É proposto um programa de vida nova, sem vícios, e que trabalha a fé, levando à conversão", explicou.
No livro Os 12 passos da Pastoral da Sobriedade, da CNBB, utilizado pelo núcleo, o primeiro - e principal - a fazer é admitir que se está doente e precisando de ajuda. A reunião é dividida em dois momentos: na primeira parte, de caráter espiritual, são trabalhados temas bíblicos de acordo com o calendário nacional da CNBB, seguido por toda a Diocese, e os doze passos vivenciados pelos participantes no dia-a-dia. Na segunda parte, os dependentes e co-dependentes (familiares) partilham suas experiências, e cada um tem o momento de falar sobre a sua vida.A missão da Igreja é fazer com que eles pratiquem um programa de vida nova através da evangelização. 
De acordo com o padre Reynaldo, a pastoral nasceu nas igrejas de Limeira por causa do interesse das pessoas que participam das comunidades. "O grupo não pode ficar disperso. O dependente, às vezes, tem a necessidade de ser acompanhado e precisa estar com os outros integrantes porque senão ele pode cair novamente na tentação do vício. A família é muito importante nesse trabalho, pois sabe do sofrimento que teve com o parente que passou por esse problema. Existem casos de famílias que vieram participar das reuniões por causa de algum parente e acabaram ficando".


Originalmente publicado no jornal laboratório Em Foco, do curso de Jornalismo do Isca Faculdades

* Aluna do 6º semestre de Jornalismo do Isca Faculdades 

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Semana de Pedagogia termina com música


Daíza Lacerda *

Unir educação e arte de forma inovadora: assim a professora Karin Terrell Ferreira definiu o Concerto Didático, da Camerata da Orquestra Sinfônica de Limeira, apresentado no encerramento da Semana de Pedagogia do Isca Faculdades, na quinta-feira, 11.

A semana, que contou com oficinas temáticas, teve como tema "Saberes e práticas docentes: desafios da educação contemporânea". Coordenadora do curso, Karin abordou a importância da arte para o ensino: "Na educação artística, quando fazemos uso da pintura ou trabalho com massa, visamos um plano maior de aprendizado envolvendo música, literatura, cinema e rádio".
A proposta da apresentação da Camerata, regida pelo maestro Rodrigo Müller, foi oferecer abordagens didáticas da música clássica, como as diferenças no uso das cordas em um concerto.
A Camerata existe há três anos, mas de acordo com Müller é um trabalho que vem sendo desenvolvido há 12. O projeto Concerto Didático atende em torno de 450 alunos e tem se apresentado em várias escolas. "É muito gratificante este contato mais próximo. Muitos alunos assistem e passam a ter maior interesse", declarou o maestro.
O encerramento da semana contou ainda com os comentários da professora Maria Eliza Vieira Elias, que é especialista em uso da tecnologia na educação pela Universidade de Brasília. A professora mostrou como os computadores podem complementar o aprendizado com trabalhos criativos e diferenciados, como a composição musical, por exemplo. 
De acordo com a professora Karin Terrell, a participação dos alunos de Pedagogia no evento superou as expectativas. 

* Aluna do 6º semestre de jornalismo

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sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Portadores de deficiência cobram melhorias


Ivan Costa *

Limeira tem população estimada em pouco mais de 270 mil habitantes (números de 2004); destes, cerca de 600 são deficientes físicos cadastrados pela Elektro, a concessionária de energia elétrica. Diariamente, essas pessoas encontram dificuldades para se locomover pela cidade, em função da falta de planejamento e de transporte público de qualidade. 

"A falta de acessibilidade nas vias públicas é uma das dificuldades que encontro para minha locomoção em Limeira. Tenho uma vida normal, mas com dificuldades geradas pela falta de adaptação dessas vias", diz o cadeirante Elias Israel de Lima, 46, estudante de Publicidade do Isca.
O lazer do final de semana fica prejudicado pela falta de adequação dos estabelecimentos, como bares, cinemas e teatros, entre outros. O cadeirante Renilson Maciel da Silva, 22, também estudante de Publicidade, conta: "Fui a um barzinho que tem vários níveis de piso. Do primeiro ao segundo piso tem rampa, mas do segundo para o terceiro, onde se encontra o caixa, não há, o que atrapalha na hora de pagar a conta ou até mesmo para comprar um chiclete ou bala".

Apoio

Esses portadores de deficiência contam com a ajuda de entidades sem fins lucrativos.  Uma delas é o Ainda (Associação Integrada de Deficientes e Amigos), que segundo a coordenadora, Kedima Silva, recebe de 15 a 20 portadores de deficiência por semana em período integral e cerca de 50 para atendimento especializado, que inclui fisioterapeutas e psicólogo, entre outros.

* Aluno do 2º semestre de Jornalismo do Isca Faculdades e repórter da Agência Nova

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ARTIGO - A ética do morango


Juliano Schiavo *

Nunca pensei que uma caixinha de morango pudesse ensinar tanto a respeito da vida. Mas pode dizer muito. Numa caixinha plástica, envoltos numa proteção transparente, estão expostos para deleite dos olhos os mais belos e tenros morangos. Em formato de coração, adornado com um vermelho intenso e chamativo, o "falso fruto" mostra todo o seu esplendor na parte superior da caixinha.     

A beleza, tão efêmera, conquista os olhos do consumidor, que, encantado, compra o pacotinho para saborear os morangos. Ao abri-lo, uma surpresa. Por debaixo da beleza há um falso fruto, raquítico, feio, amassado. Pequeno, muitas vezes mofado, seu destino não é tocar os lábios e nem ser degustado: segue para o lixo.
Essa prática vigente em nosso país serve para reflexão. Resume a idéia da ?ética do morango?, ou seja, aquela que vende uma beleza enganosa, que ludibria os olhos e lucra com algo que, se fosse visto de perto, ninguém compraria. 
Nas relações pessoais, há muitos que se utilizam desse artifício. Enganam e sabem lograr com um conjunto de palavras, sorrisos e maleabilidades corporais o seu próximo. Sua ética é vender uma coisa e fazer outra. 
Articulistas, jornalistas, vendedores, políticos, ambulantes, desempregados, uma gama "seleta" de pessoas age de acordo com a ética do morango. Pregam uma coisa e fazem outra. É a hipocrisia tomando lugar da verdade e contagiando muitos: se ele engana e lucra com isso, por que eu não posso enganar e lucrar com o próximo também?
Há de se levar em consideração que, ao agir dessa forma ? enganar para tirar proveito ? fere-se um dos princípios básicos da boa conduta, que neste caso é a honestidade. A condição de ser honesto, infelizmente, é um valor em extinção e necessita urgentemente renascer dos escombros das relações pessoais.
Longe de lições de moral: honestidade é prêmio que se conquista no dia a dia. O maior lucro advindo não é material e não se contabiliza. Vem por meio da consciência limpa. Vale a pena ser honesto e se empenhar em transmitir essa idéia, pois a podridão (cedo ou tarde) vem à tona e demonstra que, por detrás dos belos morangos, há aqueles que estão mofados e precisam ser eliminados.

* Juliano Schiavo, 20 anos, é estudante de jornalismo do Isca Faculdades. jssjuliano@yahoo.com.br

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Vigilante mantém escolinha de futebol para criança


Virgílio Gabriel *

Adolescentes da periferia de Limeira ganharam uma opção de lazer por iniciativa do vigilante Paschoal Vanderlei, do Isca Faculdades. Em suas folgas, Paschoal reúne a garotada e sai para jogar bola. Ao todo são 14 garotos, de 11 a 14 anos, moradores dos bairros Nossa Senhora das Dores, Abílio Pedro e Belinha Ometto.

A idéia de encaminhar pré-adolescentes para o esporte surgiu em 2003. Tudo começou quando Paschoal decidiu treinar seus filhos. Com o passar do tempo, os amigos dos meninos também se interessaram. Com o número crescente de jovens na equipe, o treinador decidiu apelar ao seu Elias, do famoso "campo do Elias", que apoiou a iniciativa e permitiu que os garotos treinassem lá. Hoje, além desse apoio, Paschoal conta com a quadra de esportes do Isca para os treinos.

Entusiasmo

Wellington, Matheus e Lucas, moradores do Caieras, Belinho Ometto e São Paulo, respectivamente, são atletas do Projeto Caieras desde 2005. "Ele é uma pessoa boa, que corre atrás das coisas pra gente", disse Lucas. Os garotos demonstraram entusiasmo ao falar das partidas em locais com melhor estrutura. Animados com a possibilidade de seguir a carreira futebolística, acreditam que com a ajuda de Paschoal este sonho poderá se transformar em realidade.
O projeto conta com alguns docentes do Isca e um professor de educação física entre os colaboradores. Paschoal reconhece a todo instante a importância dessa ajuda. "Os professores têm me ajudado muito. Ultimamente, as carências do projeto estão sendo supridas principalmente com pares de tênis, nossa maior carência".
 
Apesar dessas contribuições, o projeto ainda carece de maior atenção da comunidade. Afinal, com mais recursos, outros jovens poderiam trocar as ruas pelo esporte.
 
É importante frisar que o vigilante se sente limitado por não possuir curso de treinador de futebol. Por essa razão, tem tido problemas para registrar os jovens em ligas, e até mesmo para conseguir autorização de ginásios para treinar.
 
Um das promessas do Projeto Caieras é Franchesco, que participava da equipe comandada por Paschoal e foi aprovado em uma escolinha juvenil do Internacional de Limeira. O garoto passou a ser referência entre os alunos do projeto, e sempre que os meninos o encontram, é uma festa. "Franchesco é um exemplo para eles", disse Paschoal.
"Aconteceu de muitos pais falarem que seus filhos eram rebeldes, não estudavam, eram terríveis, e agora são outros meninos. Obedecem, fazem o dever de casa e estão mais responsáveis", informou. O vigilante relata que o ambiente em que os meninos viviam antes do projeto era propício a formar todo tipo de malfeitores.
Quanto à possibilidade de o Caieras revelar craques para o futebol profissional, Paschoal diz que sua intenção está além dessa expectativa. "Aqui, nossa maior meta não é formar atletas, e sim homens".
Quem quiser colaborar com o Projeto Caieras pode entrar em contato com o treinador pelo fone (19) 3441.4528.

* Aluno do 2º semestre de Jornalismo. E-mail: virgiliogabriel@yahoo.com.br

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Alunos do Isca são premiados no Expocom


Kendra Martins *

O curso de Jornalismo do Isca Faculdades foi premiado com dois primeiros lugares nacionais na Exposição da Pesquisa Experimental em Comunicação, a Expocom, realizada no início de setembro em Santos. Na segunda-feira, 3, os premiados fizeram uma apresentação de seus trabalhos no anfiteatro da faculdade.


O evento contou com a presença dos estudantes do 2º, 6º e 8º semestres de Jornalismo, que puderam prestigiar seus amigos e acompanhar a idéia do nascimento do videoclipe Quero ser Criança e do livro-reportagem O corte: como vivem - e morrem - os migrantes nos canaviais de São Paulo.

Os alunos do terceiro ano, Juliano Schiavo Sussi, Kendra Martins, Lucas Campagna Filho, Daíza de Carvalho e Eliara Clemente, sob orientação da professora Adriana Pessatte Azzolino, ficaram em primeiro lugar na categoria videoclipe. Na modalidade livro-reportagem, o ex-aluno Agnaldo Fernando Rodrigues ficou também em primeiro lugar. Agnaldo é formando da turma de Jornalismo de 2006 e seu trabalho foi orientado pela professora Socorro Veloso.

"Fizemos o trabalho de videoclipe para a matéria Estética e Cultura de Massa. Nos dedicamos em fazer esse projeto, mas na realidade não imaginávamos chegar tão longe", disse Juliano, o maior responsável pela organização e captação das imagens do vídeo. "Na etapa nacional que ocorreu em Santos, na Universidade Santa Cecília, a bancada que julgou o videoclipe do nosso grupo elogiou muito o ISCA Faculdades", conta o aluno.

Agnaldo Rodrigues, por sua vez, disse que desde o primeiro ano de faculdade arquivou notícias que dariam suporte ao seu projeto de conclusão de curso, e fez uma relação de prováveis fontes e dados relacionados à produção de cana-de-açúcar na região. Seu livro foi apresentado com Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em dezembro do ano passado, e aprovado com a nota máxima pela banca examinadora.

O estudante do 2º semestre do curso de Comunicação, Virgilio Gabriel Correia, falou sobre o evento de segunda-feira. "A apresentação foi ótima e eu acho muito importante alunos que foram do ISCA ou ainda estão estudando, mostrarem o trabalho que foi premiado".

Para a professora e coordenadora do curso de Jornalismo, Milena de Castro, esses dois prêmios coroam o trabalho sério e competente realizado pela equipe de professores junto aos alunos, que também têm se mostrado criativos e esforçados no aprendizado da atividade jornalística. Ela dá uma dica: "Aproveitem todos os espaços e projetos que o curso oferece a vocês para aprimorar-se profissionalmente. Porque, mais tarde, vai dar saudade desses bons tempos da faculdade".

Neste ano, mais de 160 trabalhos foram escritos em 61 modalidades do Expocom, que estava dividida em seis categorias: Cinema e Vídeo, Publicidade e Propaganda, Produção Editorial e Cultural, Rádio e TV, Jornalismo e Relações Públicas. O Expocom é promovido anualmente pela Intercom - Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, e recebe projetos de diversas universidades do Brasil.

* Aluna do 6° semestre de jornalismo

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Luís Nassif elogia PAC e Bolsa Família

Paulo Silas *

O jornalista Luís Nassif, comentarista econômico da TV Cultura, ministrou palestra aos empresários de Limeira e região sobre a realidade política e econômica do País. O evento aconteceu no dia 4 e foi promovido pela Unimed Limeira e a FIP (Federação Infrafederativa Paulista).

Nassif iniciou o bate-papo com os empresários comparando o atual momento político com a década de 1920, em que havia grande insegurança devido ao modelo econômico. "Hoje as classes E e D estão emergindo graças aos programas sociais. Por outro lado, a classe média está sendo jogada para baixo, em razão dos altos tributos".
Sobre a prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira), o jornalista acredita que este ainda não é momento para eliminá-la totalmente. Mas salientou que a cobrança deve prever uma variação na alíquota - que hoje é de 0,38% -, de acordo com a arrecadação de tributos.
"Numa gestão que não consegue administrar com a verba atual, quando se corta um pouco dessa verba, vira um caos", opinou, em relação à eliminação radical de tributos. Porém, Nassif concorda que a carga tributária é alta e que é necessário diminuí-la. Segundo ele, o amortecimento da carga só será possível se a gestão pública diminuir os custos e os gastos atuais.
De acordo com o jornalista, o PAC (Programa de Aceleração de Crescimento) é um avanço para o Brasil e foi uma das medidas mais relevantes do atual governo. "É importante porque pega um conjunto de investimentos que não são contigenciados. O País pode virar um canteiro de obras".
Em relação ao programa Bolsa Família, Nassif diz tratar-se de um programa essencial. No entanto, a metodologia deve ser revista. Para ele, é imprescindível melhorar a base de dados e ter uma "porta de saída". "Ao contrário de que muitos pensam, precisamos aumentar os gastos na área social e não reduzi-los".
Diante da atual crise política, ele acredita que os partidos, hoje, não significam mais nada. E aproveitou para comentar o caso Renan Calheiros, que definiu como "uma derrota da grande imprensa". Segundo o jornalista, a imprensa está virando um instrumento político, quando deveria ser mediadora. "Estamos num momento de redescoberta do Brasil", conclui o jornalista.

* Aluno de Jornalismo do Isca e repórter da Agência Nova 

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Bom jornalista se forma com garra e criatividade

Da Redação* *

A jornalista Rosemary Bars Mendez, editora-chefe do Jornal de Piracicaba e professora titular do Isca Faculdades e da Unimep, concedeu uma entrevista por e-mail à equipe da Agência Nova. Na entrevista, ela disse que o jornalismo é uma de suas paixões e que escolheu a profissão porque não saberia fazer outra coisa. Também falou sobre sua atuação como executiva de um grande jornal do interior do Estado e analisou o mercado de trabalho.

Rose Bars, que entrou na faculdade de jornalismo aos 17 anos, também é graduada em História. Tem especialização em História e Cultura, e fez mestrado e doutorado em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo. No mestrado, estudou a obra de Barbosa Lima Sobrinho, e no doutorado, o jornalista Pompeu de Sousa, que introduziu várias mudanças na imprensa brasileira. Rose também atuou na imprensa sindical e política. 
Confira a entrevista:

Que avaliação você faz do mercado de trabalho para os jornalistas?
O mercado sempre foi muito cruel com todos e sempre será, mas acolhe os bons profissionais, aqueles que têm brilho próprio, garra, disciplina, criatividade para superar as dificuldades e apresentar um trabalho de qualidade. Sobreviver nesse mercado é saber lidar com a concorrência e estar preparado para qualquer tipo de mudança. Não podemos nos acomodar, porque podemos perder espaço.

 

Como veterana da profissão, que mudanças testemunhou nos jornais, ao longo do tempo?
As mudanças são várias, a começar pela linguagem (texto e imagem), na agilidade do processo de produção, na exigência de se apurar com precisão a notícia. Ou seja, está na produção, no cotidiano de uma redação, uma dinâmica própria das novas tecnologias. Mas o senso de responsabilidade, de comportamento ético, da necessidade de investigar e estar sempre atenta aos problemas sociais são os mesmos, pelo menos para mim.

 

Como você encara o desafio de ser uma executiva do mercado jornalístico, no caso, editora-chefe? Quais as responsabilidades do cargo?
Sou jornalista e isso não depende do cargo que ocupo. Mesmo estando num cargo de gestão, atuo como jornalista, sempre em busca de informações de interesse público e conto com o apoio de uma equipe de profissionais que tem o mesmo interesse que eu. A diferença é que resolvo mais problemas e discuto com todas as editorias o que é mais importante, o que dá manchete e as formas para resolver as dificuldades diárias que os repórteres encontram no trabalho de campo.
Estou à frente de uma equipe que se preocupa com a qualidade do que apresentará para os leitores. A responsabilidade do cargo está ligada à responsabilidade da própria profissão, que é fazer jornalismo de qualidade. Por isso a atuação da equipe é importante.

 

Existem poucas mulheres atuando na área executiva da imprensa. Você acredita que ainda há preconceito contra mulheres na chefia de veículos de comunicação?
Sou uma profissional e acredito que ocupo este cargo por essa razão e não por ser mulher. Isso significa que se a profissional tiver o perfil para ocupar um cargo de chefia, de direção, com certeza ocupará. Conheço muitas mulheres que estão chefiando redações ou estão ocupando cargos de editoras. O que acontece é um pouco mais profundo do que a questão de gênero (homem/mulher). É uma mudança no perfil da redação, que tem mais mulheres do que homens.

Que palavra define o jornalismo em sua vida? 
É uma das minhas paixões.

* Entrevista concedida a Gustavo Nolasco, Lílian Geraldini e Roxane Regly, do 2º semestre de Jornalismo do Isca. 

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