Rodrigo Souza *
Atualmente o circo alia a prática esportiva e o lazer, mas a aplicação das técnicas circenses requer conhecimento adequado. Segundo o agente cultural Henrique Andrielli, uma simples cambalhota em falso pode provocar uma lesão irreversível para o praticante. "Aliar esta consciência corporal a exercícios que estimulam a criatividade é muito prazeroso e por isso a arte circense vem conquistando adeptos", diz. "Ficou para trás a crença de que essa arte era restrita às famílias circenses".
As técnicas circenses saíram dos picadeiros. Estão nas ruas, nos corredores dos hospitais, nas boates e casas noturnas, nas praças públicas, teatros, nos corredores de empresas. Equilíbrio, destreza, concentração, agilidade, interação e força: estes são alguns dos elementos trabalhados nas oficinas de circo que vêm tomando conta das academias de ginástica e de treinamentos empresariais em todo o país.
Aos 30 anos de idade, Henrique Andrielli decidiu que queria descobrir a fantasia o outro lado do picadeiro. Ao retornar para Leme, sua cidade natal, após 15 anos, estava disposto a aprender a nobre arte do palhaço e colocá-la à disposição da sociedade. Concretizou este projeto por meio do grupo Pronto Sorriso, formado por voluntários que semanalmente visitam as enfermarias da Santa Casa de Misericórdia de Leme, vestidos de palhaços. Nasceu então o Doutor Cicollo da Costa Larga, o palhaço que posteriormente migrou para a Trupe Circulante, em companhia de outros atores de Leme, Pirassununga e São Carlos.
De lá pra cá, Henrique aprendeu o malabarismo - técnica de manipular objetos no ar -, acrobacias de solo, pirofagia e fez cursos de aprimoramento na técnica da palhaçaria. Ele observa que as atividades desenvolvidas também podem ser utilizadas como superação da vida cotidiana. Isso porque as mais simples cambalhotas até o mais complexo movimento no trapézio mostram que é possível dar saltos e reviravoltas na vida, desafiando os praticantes a vencer seus medos e limites. Tudo, é claro, sem deixar de lado a preocupação com a segurança.
* Estudante de Jornalismo do Isca Faculdades e repórter da Agência Nova
