Juliano Schiavo *
Desses 46.660 casos de assassinatos, poucos chegaram à grande mídia, que se preocupa com outras questões. Não ter representatividade econômica é sinônimo de inexistência para o quarto poder.
"A morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca procure saber por quem os sinos dobram. Eles dobram por ti", disse o poeta inglês John Donne (1572-1631). Se para o poeta a morte de uma única pessoa o diminui, isso não causa transtornos para o grande segmento que controla a informação de massa. Pode morrer qualquer um que não seja dos seus. Os sinos da grande mídia só dobram para aqueles que pertencem à classe que a mantém.
A engrenagem do sistema é forte demais para permitir que um favelado seja manchete do Jornal Nacional quando é alvejado por tiros. Ele só é foco do noticiário quando se transforma em seqüestrador e coloca em perigo os filhos do poder, tanto econômico, quanto político. As lentes objetivas têm um único objetivo: focar só o que interessa. Nada mais.
A mídia não está errada em posicionar suas objetivas quando alguém é vítima de violência. É papel da imprensa lutar - por meio do uso da informação, sua valiosa arma - para transformar a sociedade em um ambiente onde as pessoas possam ser livres e que tenham o direito de andar na rua sem serem atacadas. O grande cerne da questão é quando os veículos de comunicação só dão voz aos incluídos em seu sistema. Preconceituosos, eles acabam por se desvirtuar de sua luta por uma sociedade justa.
A única certeza (para todos) é a morte. Para os que possuem influência, há o privilégio do destaque no jornal. Se a morte for trágica, tanto melhor, pois a mídia gosta de se ocupar com isso. Infelizmente é assim. Sai no jornal quem pode.
* Estudante do 7º semestre de Jornalismo do Isca Faculdades (jssjuliano@yahoo.com.br)
