sexta-feira, 22 de agosto de 2008

LEITURA: Admirável Mundo Novo: Ficção ou Profecia?

Daniel Marcolino Pereira *

Em 1931, Adous Huxley publicou esta que viria a se tornar sua obra antológica:Admirável Mundo Novo. A revelação da problemática do condicionamento humano a uma escravidão satisfeita e alienada é o tema principal desta obra.


A partir desta visão, observa-se o estabelecimento de uma sociedade obscura, onde os valores familiares e a ética, necessários para manutenção da ordem social, são totalmente abolidos.

Assim, nessa humanidade plástica, desenrola-se sobre a legenda da Fraternidade e da Estabilidade a tragédia atípica de um Senhor Selvagem, filho da união de dois habitantes de um mundo esquecido.

O que fica claro, infelizmente, é que a profecia contida na narrativa vem se transformando, paulatinamente, em realidade.

Depois de 1931, por diversas ocasiões, o avanço tecnológico ameaçou dizimar a raça humana, como o desenvolvimento das armas nucleares e bioquímicas.

A Sociedade "perfeita" é mostrada por Huxley através da história de uma jovem típica, pertencente a uma das castas altas, que, em uma crise existencial, conhece uma reserva de selvagens e particularmente o selvagem protagonista da história (a reserva é uma alegoria para o mundo real).

Os dois personagens representam o antagonismo entre a nova e a velha sociedades, os novos e os velhos padrões.

Ela vive em uma sociedade formada por pessoas pré-programadas genética e psicologicamente para desempenhar um papel social e gostar deste, sem questionar ou desejar, nem mais nem menos, simplesmente ser o que lhe foi designado pelo Estado, mantenedor do bem-estar geral.

O selvagem, por outro lado, vive em um mundo cheio dos antigos valores e costumes, dogmas e tradições.

No "Novo Mundo," cada pessoa é especializada como uma formiga, vivendo unicamente para exercer a profissão a que foi destinada antes de nascer e tendo sido condicionada para gostar disso.

Até que ponto Admirável Mundo Novo é ficção? A leitura deste livro choca porque é, sobretudo, a descrição diabólica da pragmática do fim dos tempos e das incertezas do final do século.


* Aluno do 4º de Jornalismo do Isca