quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Auto-escola atende a mais de 120 deficientes


Lilian Geraldini *

O sonho de tirar a carteira de habilitação, que antes parecia impossível para os portadores de deficiência, torna-se uma realidade cada vez mais comum. Em Piracicaba, a Vera Cruz é a única das 33 auto-escolas no município adaptada para atender a deficientes físicos, auditivos e pessoas com mobilidade reduzida. Só neste ano, 238 alunos passaram pela auto-escola, já habilitados ou em processo de obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), destes, 129 são deficientes.


A auto-escola está há mais de 30 anos no mercado e oferece o serviço especializado há cerca de um ano, segundo o proprietário, Fernando Spessotto, e atende a nove cidades da região.

De acordo com Spessotto, tornar uma auto-escola adaptada depende de um processo burocrático. É preciso que haja um médico especializado na cidade autorizado pelo Detran (Departamento Nacional de Trânsito) para realizar, nos alunos, uma avaliação específica, em que é detectada a necessidade de cada um. São necessárias, ainda, adaptações na estrutura física da auto-escola para receber os alunos, como barras na parede lateral dos banheiros, rampa de acesso, curso de libras para os instrutores se comunicarem com deficientes auditivos, além de adaptação nos veículos (direção, acelerador do lado esquerdo, freio e acelerador manual, no caso dos paraplégicos).

"Tudo isso custa mais caro. O carro que temos custa mais ou menos 55 mil, com as adaptações sai em torno de 60 mil", diz Spessotto. A CNH também muda de preço. Para tirar uma carteira, normalmente, o custo na auto-escola é de R$500, para o deficiente ela sai por, aproximadamente, R$730.

Spessotto, que também é instrutor, salienta que não há um método especial para as aulas. "Basicamente é a mesma coisa. Não se pode entender como algo diferente, ninguém gosta de ser tratado assim", diz. E destaca que o resultado é gratificante: "Para nós é um mérito habilitar pessoas portadoras de deficiência. Elas têm até mais determinação. O deficiente auditivo, por exemplo, fica feliz quando vê alguém conversando com ele", afirma.

Para o presidente das auto-escolas e despachantes de Piracicaba, Marcos Frank, este serviço é necessário. "Há uma procura dessas pessoas com deficiência. Antes elas tinham que ir para Campinas, Sumaré ou São Paulo. Hoje se tornou mais fácil", completa.

Humberto Cosentino Neto, 62, é motorista há 40 anos. Em 2002, sofreu um acidente de moto que ocasionou uma lesão medular. Hoje ele se locomove com o auxílio de um andador. Cosentino Neto teve de tirar a CNH novamente, mas não desanimou. "Fiz sete aulas, já sabia dirigir, só tive que me adaptar a algumas coisas". Ele afirma que, com o carro automático, fica ainda mais fácil dirigir e salienta: "É ótimo ter novamente independência ao dirigir".   

* Aluna do 4º semestre de Jornalismo do Isca