quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Diploma:Campanha para regulamentar o Jornalismo


Roxane Regly *

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) está realizando uma campanha pela regulamentação da profissão, buscando manter a exigência do diploma de nível superior aos que exercem ou querem exercer o Jornalismo. Em nota, a Fenaj defende-se do que considera ser um "ataque sem precedentes" aos jornalistas, que "procura aniquilar a regulamentação", argumentando com uma "visão mesquinha", que "a profissão de jornalista não requer qualificações profissionais específicas".


Juntamente com os Sindicatos dos Jornalistas, a Fenaj iniciou a "luta" contra a liminar. Segundo a Federação, "a população tem direito a informação de qualidade". No último dia 17 de setembro, centenas de profissionais e estudantes estiveram reunidos na Praça dos Três Poderes, em Brasília, para pedir aos ministros do STF que votem a favor da regulamentação profissional.

A campanha surgiu em 2001, quando o Sindicato das Empresas de Rádio e TV de São Paulo impetrou ação questionando a constitucionalidade do Decreto nº 972/69, que regulamenta a profissão no Brasil. A ação foi acatada pela 1ª instância da Justiça Federal, que concedeu liminar abolindo a exigência. A liminar foi derrubada, em 2005, pelo Tribunal Regional Federal (TRF) da 3ª Região, em São Paulo. E o Ministério Público Federal (MPF) recorreu da decisão no Supremo Tribunal Federal (STF), e ainda espera julgamento.

Marco Atílio Gimenez, 35, formado em Jornalismo, acredita que "a defesa do diploma pode garantir uma melhoria na qualidade dos serviços à sociedade". Marcos Paulino, 38, também jornalista formado, considera que "nos dias atuais, é inadmissível que um jornalista não tenha formação". Paulino, que já atuou como repórter, assessor e editor, e atualmente é também professor universitário, considera que exercer o Jornalismo sem certificação é como ser médico sem diploma: "Em ambos os casos coloca-se em risco a integridade, física ou moral de uma pessoa". E completa: "na faculdade, o profissional adquire uma bagagem de conhecimentos que serão levados à prática".

Mas a opinião da categoria não é unânime. Edmilson Siqueira, 57, jornalista, atualmente editor em um jornal diário em Campinas, acredita que "basta ao profissional ter talento para escrever que as técnicas jornalísticas se aprendem em pouco tempo". Para ele, as faculdades estão longe da realidade das redações: "O excesso de teorias não prepara o aluno para o dia-a-dia do profissional", diz ele.

Para os alunos dos cursos de Jornalismo, a vivência universitária é de grande importância. O estudante do 8º semestre, Alex Contin, 21, há dois anos e meio na profissão, diz que "deve haver uma preparação acadêmica séria do jornalista". Renata Reis, 25, também estudante do 8º semestre, está há dez anos no Jornalismo e há seis num jornal diário de Limeira. Para ela "é indiscutível a necessidade não apenas do diploma, mas do conhecimento que se adquire, pois este faz falta na prática", afirma.

* Aluna do 4º semestre de Jornalismo do Isca