Felipe Furlanetti *
Citricultores, pesquisadores e autoridades de Limeira e região se reuniram na última sexta-feira, 24 de outubro, no anfiteatro do Carlton Plaza Hotel de Limeira para discutir soluções que possam amenizar os impactos socioeconômicos do Greening.
O encontro teve como objetivo mostrar a importância econômica e social da produção citrícola no Estado de São Paulo e a perda de expressão no cenário mundial, que vem ocorrendo por conta da devastação causada pela doença.
Participaram do evento autoridades dos municípios de Limeira, Artur Nogueira, Engenheiro Coelho, Piracicaba, Cordeirópolis, Iracemápolis, Rio Claro, Cosmópolis e Santa Gertrudes, além de representantes do Ministério da Agricultura e da Secretaria Estadual de Agricultura.
De acordo com o secretário municipal de Agricultura, Danilo Fischer, a intenção do encontro é discutir a citricultura na região e a ameaça que o Greening representa para o parque citrícola. "Limeira está em alerta, e há como cuidar dessa situação. Se todos se unirem com o mesmo propósito, o problema será erradicado", afirma.
Segundo Fischer, uma pesquisa feita pelo curso de Ciências Econômicas do Instituto Superior de Ciências Aplicadas (Isca) mostra que, em Limeira, a doença afetou apenas 2% de toda a plantação do município. "Esse número pode aumentar, caso os produtores não tomem conhecimento da doença", diz.
Conforme a pesquisa, Limeira possui 4.411 trabalhadores rurais envolvidos com a citricultura. Caso a doença não seja estabilizada, muitos destes não teriam especialização em outras áreas para retornar, de imediato, ao mercado de trabalho.
Entretanto, para o engenheiro agrônomo da Fundecitrus (Fundo de Defesa da Citricultura), Rodrigo do Vale Ferreira, o encontro procura mostrar que ainda existem medidas de controle e que é possível conviver com a doença utilizando métodos preventivos. "A melhor receita para a longevidade dos pomares é a realização de inspeções periódicas e, em alguns casos, o manejo da planta doente, para que outras não sejam contaminadas", esclarece.
Para Ferreira, a doença não respeita cercas. "Não basta alguns citricultores exercerem o combate à doença. Se os vizinhos também não realizarem o trabalho de prevenção e controle, todas as propriedades estarão sob risco constante de contaminação. Além de destruir pomares, ela pode alterar a estrutura das cidades que vivem da citricultura. O controle demanda profissionalização e exige cada vez mais rigor e persistência", alerta.
Produtor rural do ramo da citricultura, Claudio Asbahr conta que, por falta de informação, teve que retirar no ano passado algumas plantas de seu pomar. "É uma doença silenciosa. Quando menos se espera, ela toma conta. Por isso temos que nos unir e combater este problema", opina.
Pólo agrícola
Atualmente, o Brasil produz 80% do suco de laranja consumido no mundo, sendo que 98% do suco exportado é produzido em solo paulista. No Estado de São Paulo há mais de 210 milhões de árvores cultivadas em uma área de 650 mil hectares, o que move cerca de R$ 9 bilhões por ano.
O setor representa a base quase que total da economia de 330 municípios paulistas e gera 400 mil empregos diretos. Segundo o Fundecitrus, são os citricultores que movimentam a indústria e o comércio regional, com a aquisição de máquinas, equipamentos, fertilizantes e defensivos agrícolas, além de postos de combustíveis e pedágios.
Dados sobre o Greening disponibilizados pelo Fundecitrus
Constatada no Brasil em março de 2004, o Greening atinge cerca de 4 mil propriedades em 190 municípios do Estado de São Paulo. Ele pode trazer conseqüências como: morte das plantas, diminuição da produção dos pomares, redução da área plantada, aumento nos custos produção, além de coibir a exportação do produto.
A doença agride todas as variedades dos citrus com rápida disseminação. Uma planta nova quando afetada não chega a produzir. Já adulta, passa a produzir cada vez menos, sendo destruída em poucos anos em decorrência da seca de ramos e queda dos frutos.
Ela é transmitida por um inseto chamado Diaphorina Citri, presente nos pomares brasileiros e na planta ornamental conhecida como murta, comum em praças e calçadas. Por isso é importante a remoção dessa espécie em cidades que a citricultura é relevante.
O Greening não tem cura. Neste caso é fundamental que todos adotem rapidamente as medidas de prevenção e controle da doença, como inspeção dos pomares, eliminação das plantas doentes, controle do inseto causador da doença, além de adquirir mudas sadias.
Os principais sintomas da doença são a presença de ramos amarelados, folhas secas e morte da planta. Os frutos geralmente ficam deformados e assimétricos, com as sementes podres e com a parte branca da casca mais grossa. Na maioria dos casos, os frutos chegam a cair do pé antes da hora esperada.
* Aluno do 4º semestre de Jornalismo do Isca

