Johelson Costa *
O professor voluntário José Manoel Andrade e 15 pessoas, que vão da adolescência a maturidade, ex-alunos e atuais aprendizes seus, formam um grupo de teatro, que ainda não tem nome. O objetivo é levar cultura às pessoas. Os integrantes visam apenas a arte e não o lucro. As aulas, ensaios e reuniões ocorrem aos domingos, às 9h, no salão da Igreja São Cristóvão, na Rua Tenente Raimundo Cantanhede, 306, Vila Independência, em Limeira.
As apresentações são realizadas, em sua maioria, no local dos ensaios, mas não se limitam a este âmbito. A mais recente participação do grupo foi no festival Mostra Municipal de Teatro de Limeira, no início deste ano, com a peça "O Berço do Herói", escrito pelo professor de português Julio Burgo. Trata-se de uma atualização da peça do Dias Gomes, da qual originou a novela ?Roque Santeiro? da Rede Globo.
O evento que aconteceu num domingo, 25 de maio, deu ao maestro, Robson Barboza, 31, também aluno de Andrade, que faz a preparação vocal do grupo, o prêmio de ator revelação na classificação individual.
Ivan Luis Santa Rosa, 24, iniciou aos 12 anos suas aulas de teatro com o professor. A partir do contato com a arte não parou mais. Hoje, profissional em Ciências Contábeis, atua com o grupo por lazer. "O teatro me ajudou na desenvoltura, no relacionamento com as pessoas e me fez perder a timidez", conta.
A escritora da região, Zenaide Elias, ao lançar um dos seus livros no salão da Igreja São Francisco, contou com um espetáculo do grupo, com texto escrito por ela, em homenagem às mães. "O sucesso acontece por serem como uma família, não há competição de interesses, se algum dos integrantes encontra-se em sofrimento, todos compartilham juntos", afirma Andrade.
Cíntia Furlan, 18, viveu a triste experiência de sepultar sua mãe aos 15 anos. Ela garante que o professor e todos os seus amigos de palco deram apoio sentimental e psicológico para que ela seguisse em frente. "Sem o teatro e a força que o Manoel e todo pessoal me deu não sei o que teria feito", disse emocionada.
O reconhecimento
Os alunos apreciam o trabalho voluntário do professor e sua persistência, buscando sempre o crescimento do grupo. O professor atua fora dos palcos, na empresa Galzerano-Limeira, sendo que, há 12 anos, aos domingos pela manhã, sem nenhuma ajuda de custo, leciona teatro na comunidade da Igreja São Francisco. "Admiro a devoção dele, cresci vendo a sua disposição e força. Quero, no futuro, galgar condições para que pessoas como o Manoel possam realizar trabalhos como o dele, pois conseguir espaço para desempenhar o voluntariado não é fácil, vejo isso no cotidiano do meu professor", cita Carolina Magosso, 18, componente do grupo.
Quando questionado sobre o futuro do grupo, Andrade comenta que deixará a função para a geração futura, aos seus alunos. "Nunca busquei o renome, o que importa não é o dinheiro e sim as pessoas. Falo para minha esposa que, se eu morrer hoje, morro tranqüilo e feliz, pois atingi meu objetivo aqui", confessa.
* Aluno do 4º semestre de Jornalismo do Isca
