Felipe Furlanetti *
Proibido por lei desde 1978, o estágio em Jornalismo é motivo de polêmica e discussão constante entre os estudantes do curso. Para fugir das fiscalizações, muitas empresas contratam os estagiários com outro título. De acordo com Martim Vieira Ferreira, diretor do Sindicato Regional dos Jornalistas do Estado de São Paulo, o mais comum são contratos de estágio em Comunicação Social, que, inclusive, são assinados pelas faculdades.
Em palestra aos alunos de Jornalismo do Isca Faculdades, realizada no dia 22 de outubro, Ferreira afirma que o estágio é proibido e ilegal. "Se denunciado ao Ministério Público do Trabalho, as empresas podem ser autuadas e multadas", explica.
Para ele, o problema da não regulamentação do estágio é que, muitas vezes, as empresas que mantêm esses estudantes não oficializam sua permanência na empresa nem como ocupante de outro cargo. "Eles acabam servindo para o mercado como mão-de-obra qualificada e barata. Sendo substituídos facilmente por novos estudantes quando se formam", completa.
Por outro lado, há quem diga que essa "exploração" tenha um lado vantajoso. Estagiária há quase dois anos em uma assessoria de imprensa, a estudante Paloma Prates conta que o estágio trouxe novos conhecimentos sobre a profissão. "Mesmo ganhando pouco, ele é uma bagagem essencial, pois nos contextualiza com clareza aquilo que aprendemos na faculdade", fala.
Formada há quatro anos em Jornalismo, Daniela Rocha diz que o estágio foi fundamental para o seu desenvolvimento na profissão. "Foram dois anos de muito trabalho e pouca recompensa salarial. Entretanto, fiz muitos contatos e tive oportunidades de aprender coisas que não aprenderia de outra forma", lembra.
Segundo o diretor do Sindicato Regional, com a regulamentação do estágio estudantes e empresas de Comunicação devem ser beneficiados. "Ganham todos, uma vez que os estudantes terão oportunidade de experimentar o cotidiano das redações, promover a qualidade da formação e do trabalho jornalístico, além de apresentar aos empresários seus potenciais profissionais para uma possível contratação futura", observa.

