Gustavo Nolasco *
Desde 1997 o historiador Juliano Spyer trabalha em projetos de comunidades onlines, ações colaborativas e cross-mídia - convergência entre mídias. Em seu blog "Não Zero" - nome inspirado na teoria dos jogos que indica que essa combinação é favorável à colaboração -, ele escreve sobre jornalismo online. "Percebo a dificuldade de muitos jornalistas em 'cair na rede' e vejo também que alguns já fazem jornalismo para web sem saber que estão fazendo", escreve em entrevista concedida por e-mail.
Em seu livro "Conectado, O que a internet fez com você e o que você pode fazer com ela", publicado em 2007, Spyer fala sobre o futuro do jornalismo e as possibilidades ainda pouco exploradas pelos profissionais da área, que não conseguem se adaptar às novas plataformas, porque não aprenderam que a internet é um processo naturalmente interativo e grupal. "Jornalista pergunta melhor do que responde. Na web ele terá que responder, e rápido", escreve.
Tão rápido quanto são criadas datas comemorativas. Os argentinos Orlando Ferrero e Julián Sequeira instituíram no dia 15 de junho o DIC (Dia Internacional do Comentarista de Blog). Só para se ter idéia, os blogs, como conhecemos hoje, surgiram há apenas 11 anos. "Sempre comento nos blogs e acho muito interessante poder interagir com quem produziu a informação", diz o estudante Alexandre Melo, que, em 2004, criou a página "Adoro Blogs dos Outros". Nesse mesmo ano surgiu o Radar Cultura - projeto de Spyer -, nele parte da programação da Rádio AM e da TV Cultura são dedicados à colaboração dos internautas.
Defensor do jornalismo colaborativo, o historiador acredita que a dificuldade no contato com a audiência seja o grande impasse na convergência do próprio jornalista para a mídia digital. "Responder cartas enviadas à redação não é uma função que tenha prestígio entre jornalistas. A maioria não lida com sua audiência e trata as pessoas que entrevista como 'fontes', e não como parceiros ou colaboradores", exemplifica no e-mail.
Para Spyer, a interação entre jornalista e audiência nos jornais, rádios e na TV é o que faz o público se identificar com a informação. Segundo o historiador, na web essa interação é triplicada, uma vez que as possibilidades de veicular a informação englobam todas as plataformas. "Na web, a conversa é tão importante quanto a qualidade do conteúdo", finaliza.
* Aluno do 4º semestre de jornalismo
