Thiago A. Machado *
Eventos culturais, shows, museus e galerias de artes: qual jornalista não gostaria de cobrir espetáculos ou mesmo opinar sobre um filme recém-lançado? O jornalismo cultural é uma das áreas que mais ganha status entre os jovens estudantes de Jornalismo, segundo Daniel Piza, colunista do O Estado de S. Paulo, em seu livro Jornalismo Cultural. Porém, parte da própria imprensa costuma relegar à cultura um papel secundário, aos segundos cadernos dos jornais, alegando que jornalismo cultural não é hard news - aquela notícia "quente", instantânea. "O conceito de que ´emitir opiniões é fácil´, que tantas vezes escutei em redações, é o primeiro a ser combatido", afirma Piza.
Para Marcela Benvegnu, repórter do Jornal de Piracicaba, bailarina e crítica de dança, o que falta na mídia especializada é a abertura de espaço para opiniões. "Deveríamos ter mais críticos especializados em dança, artes plásticas, cinema, literatura e mais espaço para esse tipo de texto", diz.
No entanto, se alguns jornalistas acreditam que há "buracos" a serem preenchidos, que poderia haver um espaço maior para os profissionais do jornalismo cultural, existe, também, o lado editorial (e financeiro) dos veículos de comunicação.
A redução do espaço, tanto das matérias quanto do número de páginas do caderno, a questão da publicidade, o cerceamento da opinião crítica, a "pressão" por notícias bombásticas (os furos) e outros fatores, fazem o jornalismo cultural, e o seu profissional, reduzirem de importância diante de outras editorias tidas como mais "rentáveis"."Um jornal precisa vender, pois é uma empresa. Esta é a realidade. Se ele não vender notícias, como vai se manter?", indaga Ronaldo Victoria, repórter do Jornal de Piracicaba.
Defendido por uns, "renegado" por outros, o certo é que o jornalismo cultural ainda perdura no gosto do público. "Pela minha experiência e também pelas estatísticas, há um contingente sólido, respeitável, de leitores interessados em jornalismo cultural de qualidade; e que sempre há espaço para quem se dispuser a produzi-lo", constata Piza.

