quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Jornalistas dizem que falta mobilização

Thiago A. Machado *

As discussões em torno da regulamentação do diploma em jornalismo estão acaloradas. E não é de hoje. Em outubro de 2001, a juíza Carla Rister acatou uma ação pública, movida por grandes empresas jornalísticas, pedindo a desobrigatoriedade do diploma em jornalismo. À época, a juíza dava a entender que a restrição ao exercício do jornalismo apenas para os profissionais diplomados era um desrespeito à liberdade de expressão e um privilégio elitista.


Para o jornalista Vitor Ribeiro, essa é uma tentativa neoliberal de desregulamentar as profissões, que vem sendo adotada pelos grandes veículos de comunicação. "Para as empresas, quanto mais barata é a mão-de-obra, melhor. E sem a obrigatoriedade do diploma, elas podem pagar salários mais baixos", afirma. "A formação específica para jornalismo é uma regra no mundo. Nos EUA, as empresas buscam os profissionais nas faculdades", diz.

A jornalista Daniela Rocha afirma que a formação universitária é extremamente importante para o profissional de jornalismo e ajuda a prepará-lo para o mercado de trabalho. "Existem três jornais na cidade de Capivari-SP, onde já trabalhei, e nenhum dos jornalistas é formado. Percebem-se erros técnicos nas reportagens", comenta.

Segundo Ribeiro, os problemas da profissão não param por aí. "O jornalismo vem enfrentando muitas dificuldades que não se resumem somente à regulamentação. Existe a questão do estágio, dos salários baixos, das jornadas longas e da falta de mobilização sindical da classe", diz. "Nós (jornalistas) temos que nos organizar para exigirmos a regulamentação", complementa.

A idéia é também compartilhada pelos colegas de profissão. "A história do jornalismo no Brasil é muito bonita. Sempre lutamos pela liberdade de expressão (alusão à época da ditadura). Temos que nos organizar e lutar. Sozinho ninguém faz nada", afirma Daniela. "Os jornalistas são os defensores da liberdade de expressão, mas para defendê-la, precisamos nos organizar", conclui Milena de Castro, coordenadora e professora do curso de jornalismo do ISCA Faculdades de Limeira-SP.

* Aluno do 4º semestre de Jornalismo do Isca