segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Tendências e perigos do Jornalismo Digital


Roxane Regly *   

   "O bom texto é lido em qualquer plataforma" disse Marco Chiaretti, diretor de conteúdo do Portal Estadão, em palestra aos alunos do Isca Faculdades, no último dia da 9ª Semana de Comunicação Social (Secom), que aconteceu de 10 a14 de novembro, no principal anfiteatro da instituição. O jornalista destacou a importância das novas mídias e os cuidados a serem tomados com a chamada "revolução da web 2.0".


O termo "web", diz respeito à forma como a internet é tratada e utilizada nos dias atuais. Quando lançada, em meados de 1970, a internet era um sistema que não permitia a interatividade e apenas possibilitava a disponibilidade de informações. Este conteúdo não era grandemente difundido, pois poucas pessoas possuíam acesso. Quando os grandes jornais chegaram à internet, tratavam-se de meras reproduções de seu conteúdo impresso, prática ainda existente entre os jornais pequenos e regionais.

    Com o crescimento desse novo meio e a adesão de cada vez mais usuários, as grandes empresas de comunicação passaram a se preocupar com a geração de conteúdo exclusivo e instantâneo, ou seja, no momento em que a notícia acontece, utilizando de linguagem específica para leitores com mais urgência.

    Hoje em dia, que utilizamos o termo web e esta nos permite a interatividade com o conteúdo e uma maior realidade, são usados diversos elementos gráficos, que muitas vezes simulam até mesmo uma página de um jornal, além de existirem vídeos e podcasts - as rádios on-line.

  Chiaretti acredita que nos próximos anos há uma tendência de se equilibrar os consumidores de conteúdo digital, com os do impresso. Muito se discute sobre o fim do jornal impresso. Há aqueles que defendam que nos próximos anos, as pessoas procurarão pela informação apenas na web. Chiaretti por sua vez, considera que a associação dos computadores, ao ambiente de trabalho, não permitirá que o leitor opte por abandonar o papel. "As estatísticas dos portais mostram que a informação na web é acessada em horário de trabalho. Enquanto o computador for apenas instrumento da rotina diária e as pessoas possuírem o prazer pela leitura de um bom jornal, não é provável que haja o fim do papel", considerou Chiaretti.

   A "revolução da web 2.0" é uma preocupação do jornalista e editor chefe do estadao.com.br, pois ele sente que com esta tendência de "cada internauta receber em seu navegador apenas aquilo que deseja, escolhendo por temas, ou regiões" perde-se a figura do editor. "O jornalista é alguém que sabe fazer escolhas, baseadas em muita apuração", comentou. "Temos que valorizar o esforço editorial, pois não faz sentido querer saber apenas de uma única coisa. A hiper-regionalização não é uma boa coisa", opinou.

    Ele ainda destacou o crescimento das redes sociais como o "Limão", do Grupo Estado. "É uma rede social baseada na geração de conteúdo informativo, aberta para qualquer pessoa que deseje desfrutar daquilo que é ali disponibilizado", explicou.

 

A Secom

    A semana, organizada pelos alunos de Jornalismo e de Publicidade & Propaganda, trouxe para toda a comunidade grandes nomes da comunicação, além de worshops que proporcionaram aos participantes uma noção da prática em diversos ramos.

   Para iniciar oficialmente a série de palestras, o publicitário Thiago Lopes, da agência Talent, palestrou baseado no tema "Idéias novas no mercado de trabalho". Em continuidade à semana, na terça-feira, o repórter do programa Vitrine, da TV Cultura, Rodrigo Rodrigues, esteve presente com a palestra "Mídia falando de mídia". Ele contou seu dia-a-dia como repórter, falou sobre a programação da TV Cultura, e a apresentação do programa ao lado de Sabrina Parlatore.

    Os novos rumos da comunicação foram discutidos em uma mesa redonda realizada no terceiro dia de palestras, na quarta-feira, pelo jornalista Ricardo Kotscho, ex-assessor do governo Lula, que atualmente escreve para a Revista Brasileiros e para o portal IG, e pelo publicitário Saint?Clair de Vasconcelos, da Fenapro. Na quinta-feira, o publicitário Humberto Mendes, também da Fenapro, discutiu em palestra o tema "O que muda após o '4º Congresso'", realizando um grande debate sobre as novidades na Publicidade.

   Para finalizar o ciclo de palestras e debates, no último dia, o editor de conteúdo do portal Estadão, Marco Chiaretti, ministrou sua palestra sobre Jornalismo on-line.

Oficinas

   Na segunda-feira, a abertura da Secom aconteceu com a oficina de Ilustração Gráfica Aplicada à Comunicação, ministrada pelo publicitário Renato Fabregat, que também é além de ilustrador, professor do Isca. Na oficina foram destacadas as formas de ilustração existentes e a importância das mesmas na comunicação.

   Em continuidade, na terça-feira, o jornalista Caio Bortolan, das rádios Educadora AM e Estéreosom FM, auxiliou os participantes da oficina de Comunicação Radiofônica a produzirem uma programa de rádio, realizando matérias e spots publicitários em um programa fictício que foi chamado "Boletim Semana da Comunicação" e que em seu conteúdo apresentava aspectos da Secom.

    Bruno Bortolan, criador do portal PodcastOne, realizou na quarta-feira a oficina "Podcast: a revolução do rádio 2.0", ensinando os alunos como publicar programas de rádio na web e ressaltando a tendência de crescimento desse tipo de produção.

   A TV foi tema da oficina realizada por José Luiz, professor do Isca, na quinta-feira. Ele passou aos alunos todas as noções necessárias e termos comuns utilizados para a produção de conteúdo telejornalístico. Para finalizar a oficina, os alunos tiveram a oportunidade de simular a apresentação de um telejornal utilizando o equipamento teleprompter para a leitura dos textos durante a gravação.

   No último dia de Secom, o professor do Isca e publicitário Renato Frigo, levou aos participantes a oficina "Criação de Blog", onde ensinou como publicar idéias e produtos na web utilizando sistemas de blogs.

* Aluna do 4º semestre de jornalismo

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